SOJA de Portugal, Termalistur e Trivalor juntam-se ao clube A2B

Nas quatro sessões A2B (Academia to Business) dos últimos meses participaram uma empresa municipal e dois grupos empresariais interessados em saber de que maneira os investigadores da U.Porto poderão ajudar a solucionar os seus desafios de I&D e inovação.

A Termalistur visitou a U.Porto, mais concretamente o ICBAS, em Julho, desafiando os investigadores a conhecer melhor as propriedades da água mineral natural, popularmente conhecida como água termal, e a propor novos meios de aplicação da mesma. A maioria dos investigadores era oriunda das áreas da saúde que apresentaram os projetos atualmente em curso nas suas unidades de investigação discutindo com os responsáveis da Termalistur se esses projetos seriam úteis na resolução dos desafios atuais da empresa municipal. O mesmo fizeram os empreendedores vindos do UPTEC, aproveitando também para apresentar os seus serviços à empresa de S. Pedro do Sul.

Ainda na mesma semana, a Porto Business School recebeu representantes de várias empresas do grupo Trivalor, bem como os investigadores da U.Porto e membros de empresas em incubação no UPTEC. O grupo Trivalor dedica-se a vários serviços na área da alimentação e da restauração coletiva daí que a discussão tenha girado em torno do combate ao desperdício, preferências alimentares dos clientes e melhoria dos serviços integrados. Seis das catorze empresas do grupo apresentaram desafios das suas unidades, provocando os investigadores da U.Porto a apresentarem soluções.

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Investigadores da U.Porto durante a visita às instalações da SORGAL, empresa do grupo SOJA de Portugal.

Já em Setembro, a U.Porto visitou as instalações de duas empresas do grupo SOJA de Portugal. Tanto na Sorgal (dedicada à produção de alimentos compostos para animais domésticos e de produção) como na Savinor e Savinor UTS (dedicadas, respetivamente, à produção de carne de aves e à valorização de subprodutos animais), os representantes da SOJA de Portugal fizeram visitas guiadas às unidades industriais permitindo um contacto mais direto dos investigadores com a realidade do grupo empresarial.

Julho e Setembro ficaram marcados pela inclusão de mais três organizações no clube A2B (Academia to Business), cujo principal objetivo é apoiar os esforços de inovação das organizações através de fóruns e networking entre investigadores e quadros empresariais. Poderá saber mais sobre estas sessões consultando as notícias publicadas no Portal de Notícias da U.Porto: Termalistur, Trivalor, Soja de Portugal.

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Universidade do Porto licencia pela primeira vez uma vacina

É uma tecnologia desenvolvida no ICBAS pela equipa de Paula Ferreira e consiste numa vacina para combater infeções em recém-nascidos, imunizando as mães. O potencial da invenção motivou o interesse da empresa Venture Catalysts e, após um longo período de desenvolvimento da vacina e de negociações, o contrato de licença foi assinado no passado dia 25 de Junho entre a Universidade do Porto e a Immunethep, empresa participada pela Venture Catalysts e por um dos inventores.

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No dia da assinatura do contrato, a satisfação era bem visível em todos os que trabalharam para conseguir o licenciamento da vacina neonatal.

A tecnologia foi desenvolvida no ICBAS por uma equipa liderada por Paula Ferreira, e motivou o interesse da empresa Venture Catalysts. Depois de um extenso período de negociação, a vacina neonatal cujo principal objetivo é evitar a mortalidade nos recém-nascidos foi licenciada à Immunethep, empresa criada pela Venture Catalysts e por Pedro Madureira (um dos inventores) para explorar comercialmente a vacina. O contrato foi assinado pelo Reitor da Universidade do Porto, José Marques dos Santos e por Bruno Santos e Pedro Madureira, da empresa Immunethep, a 25 de Junho na Reitoria da U.Porto. A satisfação era notória em ambas as partes, e o Reitor da U.Porto fez questão de congratular o trabalho da equipa de investigação que, como referiu, é fundamental para “promover uma mudança de atitude na Universidade do Porto”, mas também à empresa “por aceitar os desafios lançados pela Universidade”, rematou. Na opinião de José Marques dos Santos este é um passo importantíssimo a dar não só no que toca à investigação na instituição mas também  a nível nacional, por se tratar de uma aproximação importante à “resolução de um problema de saúde tão grave”, referiu. A opinião é partilhada por Jorge Gonçalves, vice-reitor para a Investigação e Inovação: “Começamos, com estas situações, a ver o ecossistema a funcionar. São peças muito importantes”, referiu.

´logoO primeiro contacto entre a Venture Catalysts e a equipa do ICBAS foi há quase dois anos. Numa análise ao portfolio de tecnologias da Universidade a empresa, com o apoio da Universidade do Porto Inovação (UPIN), percebeu o tremendo potencial desta vacina contra infeções neonatais mas na altura o fármaco ainda era utilizado para combater apenas uma bactéria. Foi então que a Venture Catalysts introduziu a possibilidade de adaptar a vacina a diferentes bactérias, causadoras de outras doenças em recém-nascidos. A pensar no licenciamento, a empresa juntou-se então à equipa de investigação do ICBAS, e deu início a um período de desenvolvimento da invenção que viria a durar perto de dois anos. Foi também nessa altura que se criou a empresa Immunethep, com elementos de ambas as partes do processo. Como referiu Bruno Santos (Venture Catalysts) essa jornada foi essencial para fazer surgir “uma aplicação mais abrangente da tecnologia com interesse económico”. O processo culminou na criação de uma nova patente e o licenciamento concretizou-se, por fim, com a assinatura do contrato.

Bruno Santos considera que um licenciamento deste tipo é muito importante, uma vez que a Venture Catalysts vê a Universidade do Porto como uma instituição de referência, trazendo associado “um selo de garantia, reforçado neste caso por se tratar de um grupo de investigação de excelência”, diz. As vantagens identificadas nesta invenção são muitas, mas o que mais motivou os empreendedores foi a solução para um “grave problema global que é a morte anual de 3 milhões de recém-nascidos e de 3 milhões de nados-mortos”, refere Bruno Santos. A invenção da equipa de investigação do ICBAS permite, então, dar resposta a uma necessidade médica não satisfeita mas também a um “problema económico significativo para os sistemas de saúde, em que os custos com prematuros e de morbilidade ao longo da vida representam anualmente, só nos EUA cerca de $12.000 milhões”, acrescentou o representante da empresa.

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José Marques dos Santos, à data Reitor da Universidade do Porto, e Bruno Santos, Immunethep, assinam o contrato de licença.

Sendo o primeiro licenciamento de uma vacina desenvolvida na U.Porto, a Immunethep acredita que este processo será um verdadeiro desafio, principalmente no que toca a “conquistar a confiança de potenciais investidores para uma tecnologia tão disruptiva desenvolvida em Portugal”. Os próximos passos a dar são, por isso mesmo, iniciar o processo de aprovação no FDA (Food and Drug Administration), nos Estados Unidos, e na EMA (European Medicines Agency), ao mesmo tempo que se reúnem esforços para “obter financiamento através de bolsas de fundações ou outras instituições, bem como de Capital de Risco”, conta Bruno Santos. Este foi um processo demorado mas com um resultado final feliz muito devido à, nas palavras de Bruno Santos, “empatia imediata com o grupo de investigação”, potenciada pela ponte que a UPIN sempre tentou manter entre ambos. Feitos os contactos iniciais, “iniciou-se uma colaboração que, ao longo dos dois últimos anos, permitiu verificar o potencial de aplicação da tecnologia na prevenção e tratamento de infeções peri-natais em recém-nascidos”, remata Bruno Santos.

Do lado dos investigadores do ICBAS a opinião é a mesma. Pedro Madureira classifica o papel da UPIN como “incansável e crucial para dar a confiança necessária aos investigadores para deixarem a sua área de conforto e se aventurarem num mundo novo, mais empresarial e altamente direcionado para a comercialização”. Pedro Madureira não hesita em afirmar que “a parceria com a Venture Catalysts permitiu o começar de um processo que permite que uma ideia científica seja traduzida num produto que pode salvar vidas”, indo de encontro ao principal objetivo de um cientista que é, na opinião do investigador “contribuir de algum modo para a sociedade em geral”.

Comité técnico da RedEmprendia reúne pela primeira vez no Porto

Mais de 40 pessoas, em representação de 7 países diferentes, participaram na reunião semestral do comité técnico da maior rede de universidades ibero.americanas. A U.Porto foi a anfitriã desta jornada de trabalho durante os quatro dias.

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©RedEmprendia. O comité técnico da maior rede de universidades ibero-americanas reuniu durante quatro dias nas instalações da Universidade do Porto.

A Universidade do Porto acolheu pela primeira vez esta jornada de trabalho da RedEmprendia e recebeu, entre os dias 20 e 23 de Maio representantes provenientes da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Portugal. “O compromisso da Universidade do Porto com a RedEmprendia é muito importante para o nosso ecossistema empreendedor” – foram as palavras usadas pelo reitor, José Marques dos Santos, para dar as boas vindas aos membros da comitiva desta Rede que tem como principal missão criar oportunidades e promover a inovação e o empreendedorismo nas universidades parceiras.

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© RedEmprendia. A mesa redonda que se seguiu à intervenção de José Manuel Leceta, diretor do EIT.

Além da habitual ordem de trabalhos, a jornada foi assinalada com dois eventos abertos ao público, em torno das temáticas abordadas pela RedEmprendia. No dia 21 de Maio a Universidade do Porto recebeu o diretor do European Institute of Technology (EIT), José Manuel Leceta, numa conferência pública sobre a nova estratégia de inovação da União Europeia. Na opinião do diretor, esta nova estratégia centra-se na promoção da inovação e, para tal, é fundamental o compromisso das entidades envolvidas, dos ecossistemas e das pessoas: “O EIT pretende tornar possível a vontade da Europa de criação de inovação centrada nas pessoas”, disse José Manuel Leceta, acrescentando que “a inovação não se pode programar, são as pessoas e os ecossistemas a construí-la”. À discussão sobre as novas e melhores formas de apoiar a investigação na União Europeia e em Portugal juntou-se Jorge Gonçalves (vice-reitor para a Investigação e Inovação da U.Porto), Marisa Loureiro, da COTEC Portugal, e ainda dois representantes de Faculdades da U.Porto: João Barros, de Engenharia e José Meirinhos, de Letras.

No dia seguinte, depois de uma visita ao Pólo de Indústrias Criativas do UPTEC, teve lugar, pela primeira vez na Europa, a apresentação do livro “Análise das atividades de Investigação + Desenvolvimento + Inovação + Empreendedorismo das Universidades ibero-americanas”, uma abordagem ao papel das universidades na criação de empresas como resultado da investigação. A publicação reúne dados oficiais de 17 universidades, fornecendo aos leitores uma imagem inédita dos seus ecossistemas. Importa salientar que a Universidade do Porto revelou ser a segunda universidade com mais patentes internacionais no período compreendido entre 2007 e 2010. Além disso, Portugal é o país com maior investimento na área de inovação e desenvolvimento (relativamente ao PIB) e, logo depois de Espanha, o país com mais investigadores por milhão de habitantes. O estudo reunido neste livro é da autoria de Alfonso Cruz Novoa da Pontificia Universidad de Chile e foi apresentado por Cristobal Garcia, (diretor de Empreendedorismo dessa Universidade) tanto aos membros da RedEmprendia como ao público presente no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto.

O restante tempo foi preenchido por reuniões de trabalho, apresentação de resultados de projetos em curso e planificação dos próximos. Foi dada especial atenção à preparação do, SPIN 2014, o evento por excelência do empreendedorismo universitário, que terá lugar em Outubro, na Cidade do México. No final da jornada, Senén Barro, presidente da RedEmprendia, mostrou-se satisfeito com a organização do evento e agradeceu a toda a equipa da Universidade do Porto Inovação “o excelente trabalho e atenção” durante os quatro dias.

A Universidade do Porto é membro integrante da RedEmprendia desde 2007 e, desde então, já participou em várias iniciativas. Pode saber mais sobre essas atividades aqui.

KTForce potencia discussão sobre políticas de inovação na Europa

Parceiros e público preencheram o auditório da Faculdade de Direito da Universidade do Porto durante a Closing Conference deste projeto europeu dedicado ao impacto que as práticas de transferência de conhecimento podem ter sobre as políticas de inovação.

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Uma das mesas redondas que animou a Closing Conference do projeto europeu KTForce.

Os parceiros do KTForce – Knowledge Transfer joint forces for efficient innovation policies regressaram à Universidade do Porto depois do arranque do projeto europeu em Março de 2012. Desta vez a sessão foi aberta ao público, que pode participar na discussão sobre as políticas de inovação e transferência de tecnologia e trocar experiências e opiniões com parceiros e convidados. A Conferência Final do projeto KTForce aconteceu no passado dia 28 de Maio na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, e reuniu mais de meia centena de pessoas.

“O KTForce é um extraordinário exemplo de smart cooperation”. Foram estas as palavras de Carlos Neves, vice-presidente da CCDR-N e um dos oradores convidados para a conferência. Na sua opinião, projetos como este são uma boa maneira de “colocar os stakeholders mais importantes da região em contacto”. Foram mais de cinquenta as pessoas que estiveram presentes no auditório da FDUP para ouvir esta e outras apresentações, numa altura em que se começa a fazer o balanço de resultados de um projeto que dura há mais de 30 meses e que envolve 11 entidades de 6 países.

O painel foi de excelência e as conversas animadas: “Innovation policies and knowledge transfer working together for regional competitiveness” foi o tema da Closing Conference do projeto KTForce, evento que antecipa o final desta iniciativa europeia cujo principal objetivo foi o “benchmarking de políticas de inovação e boas práticas de transferência de tecnologia nas regiões parceiras”, como referiu Maria Oliveira, coordenadora da UPIN – Universidade do Porto Inovação, durante a sua intervenção. Durante os trabalhos do projeto, foram identificadas 147 boas práticas, segundo dados apresentados por Stefania Amorosi, representando o programa de financiamento INTERREG IVC e também uma das oradoras. A sessão da manhã contou ainda com a presença e intervenção do vice-reitor Jorge Gonçalves, de Filipe Araújo, vereador da inovação e ambiente da Câmara Municipal do Porto e de Manuel Laranja, da Universidade de Lisboa.

A importância da aposta europeia na inovação e na transferência de tecnologia, bem como nas spin-offs universitárias, esteve presente durante todo o dia da conferência e também nos momentos de networking. Durante as mesas redondas, membros da parceria KTForce juntaram-se a outros convidados e apresentaram dados mais concretos sobre os seus respetivos países e o público teve também oportunidade de intervir colocando questões e estimulando o debate sobre o que de melhor se faz na Europa em termos de estímulo à inovação. A moderação dos debates ficou a cargo de Ana Teresa Lehman e Alexandre Almeida, ambos da Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Houve também tempo para apresentação metodologia desenvolvida no âmbito das atividades do projeto por Óscar Afonso (consultor para o KTForce) e William O´Gorman, da Waterford Institute of Technology e dos próximos passos a dar antes do final do projeto, que será em Setembro de 2014.

Os resultados do projeto continuarão disponíveis no website no futuro. As boas práticas e políticas identificadas em cada região parceira podem ser consultadas no “Good Practices Map”, ferramenta desenvolvida pelo projeto, bem com outras informações relativas a eventos e notícias. Neste momento, os parceiros estão a trabalhar na segunda brochura focada na implementação dessas políticas. O documento será disponibilizado no website do projeto em breve.

Alírio Rodrigues, o inventor que abriu caminho para as patentes internacionais na UPIN

Com uma carreira dedicada à Engenharia Química que já conta com quase 50 anos, Alírio Rodrigues e a sua equipa de investigação criaram uma tecnologia que foi a primeira, do portfólio de patentes geridas pela UPIN, a ser concedida nos Estados Unidos e também na Europa.

alírioFoi em 1968 que Alírio Rodrigues saiu da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto com o canudo de Engenheiro Químico e, depois de uma temporada a dar aulas na Universidade de Luanda, partiu para Nancy (França), onde fez o seu doutoramento. Tal como começou, foi também na FEUP que deu a sua última aula em 2013, numa cerimónia de Jubilação intitulada “My Journey. What’s next?” onde falou do seu percurso como professor mas também como investigador naquela Faculdade, da qual foi diretor duas vezes: “A investigação é uma tarefa indissociável do ensino, para um professor da FEUP. Não concebo um professor da U.Porto sem ser investigador”, disse.

Nas palavras de Alírio Rodrigues, o maior estímulo para esta carreira dedicada ao ensino foi o período em que deu aulas na Universidade de Luanda, onde permaneceu durante seis anos, só voltando à Universidade do Porto em 1976. Entre outras conquistas ao longo de uma carreira preenchida, importa dizer que foi o principal impulsionador do Laboratório de Processos de Separação e Reação (LSRE), criado em 1990, do qual também foi diretor. Ao longo dos anos ensinou também unidades curriculares relacionadas com Engenharia Química em várias universidades internacionais de renome, entre elas a University of Virginia (EUA), a Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil), onde ainda leciona, ou até mesmo o Institute of Chemical Technology, na Índia.

O primeiro contacto de Alírio Rodrigues com a UPIN foi feito em 2004 para comunicar uma invenção, cujo pedido de patente viria a ser concedido em Portugal dois anos depois. Na opinião do investigador, “o contacto com o gabinete foi sempre fácil e de boa colaboração”.

Investigação dedicada aos solventes verdes

A tecnologia chama-se “Processo Industrial de produção de acetais num reator adsortivo de leito móvel simulado”. Explicada de forma mais simples, trata-se de um equipamento que permite que, ao longo de um processo químico, tanto a reação (mistura de componentes) como a separação (para retirar um ou vários componentes da reação, que poderá ser usado para outros fins e processos) se realizem nesse mesmo equipamento. Conseguem-se assim grandes níveis de poupança de energia, poupança de investimento no equipamento e também maior rapidez no processo. Ou seja, “combinando, numa só unidade, reação química e separação dos produtos à medida que se vão formando, vai permitir ultrapassar limitações termodinâmicas em reações reversíveis”, explica Alírio Rodrigues, acrescentando que, numa primeira fase, a ideia foi testada para produção de um acetal chamado DEE – Diethyl Acetal, “que poderia ser usado como aditivo verde para diesel”.

O reconhecimento surgiu em Abril de 2006 e esta foi a 5ª patente do portfolio da UPIN a ser concedida a nível nacional. O caráter inovador da tecnologia fez com que não tardasse a obter a proteção também na Europa (2008) e nos EUA (2009), tornando-se na primeira patente internacional concedida para a Universidade do Porto. Desde então, a UPIN tem trabalhado na comercialização desta tecnologia com o investigador, que teve uma outra patente concedida em território nacional em 2011, relacionada com a primeira e continuando a ir de encontro ao trabalho orientado para as preocupações ambientais na engenharia química. Desta vez o produto testado no novo processo foi um solvente verde, o Ethyl Lactate.

Do trabalho com o gabinete, Alírio Rodrigues destaca a facilidade de acesso e as pessoas com quem trabalhou e, ao mesmo tempo, os processos em que a UPIN ajuda os investigadores: “Vou acompanhando o trabalho da UPIN mas, como já conheço o processo de patentear, centro-me agora mais no que a UPIN pode fazer para manter vivas e licenciar/vender as patentes”, tarefa essa que considera bem mais complicada e com necessidade de financiamento.Ao longo dos anos a UPIN tem dialogado com inúmeras empresas em vários pontos do globo no sentido de  se avançar com o scale up e exploração comercial das patentes, estas inclusive. Exemplos de empresas são as francesas Arkema e TOTAL, a sueca SEKAB, as brasileiras PETROBRAS e BRASKEM, as portuguesas GALP Energia e Technoedif, as norte-americanas CARGILL, DOW e Myriant, a espanhola ABENGOA, a alemã BASF, entre outras.

O trabalho de Alírio Rodrigues valeu-lhe já diversos prémios, como o Prémio “Estímulo à Excelência” em 2004, atribuído pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e também o Prémio de Excelência Científica da FEUP, em 2009. Além disso, a sua tecnologia recebeu o prémio internacional “Model-Based Innovation 2012” e o “ABB Global Consulting Award for Sustainable Technology” nos Prémios IChemE para a Inovação e Excelência, em 2008. Com mais de 500 artigos científicos publicados, a pergunta “e agora?” impõe-se. “Gostava de ver uma unidade industrial a utilizar, efetivamente, esta tecnologia”, confessa. Para já, e enquanto isso não acontece, continuam os projetos tanto em Portugal (“New adsorption-based cyclic reaction separation processes”, financiado pela FCT e que irá até 2015) como no estrangeiro, e também o trabalho na engenharia de perfumes. Apesar da sua jubilação no ano passado, a paixão do ensino ainda se mantém, pelo que Alírio Rodrigues se desloca a Fortaleza, no Brasil, para ensinar no âmbito do programa Ciência sem Fronteiras para, como refere, conseguir fazer o que lhe é “vedado em Portugal”.

Vacina neonatal pretende proteger os bebés através da imunização das mães

Paula Ferreira, investigadora do ICBAS, lidera este grupo de investigação que tem, desde o início, um objetivo muito claro: combater a morte de milhões de recém-nascidos por infeções bacterianas. Esta tecnologia da U.Porto foi agora licenciada.

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O objetivo foi claro desde o início: combater a morte anual de milhões de recém-nascidos e também os milhões de nados-mortos, por infeções bacterianas. Uma vez impossível administrar o fármaco nos embriões, a resposta para este problema passa por imunizar as mães, como explica Pedro Madureira, um dos inventores: “Tendo em conta a altura em que estas infeções ocorrem, é impossível administrar a vacina diretamente ao bebé e, mesmo que fosse possível, não teria qualquer benefício imediato”. Deste modo, e vacinando a mãe, os anticorpos vão passar para os filhos, protegendo-os. Pedro Madureira acrescenta que “os anticorpos desenvolvidos por esta vacina conseguem atravessar a placenta”, tornando a invenção extremamente eficaz até em casos de infeção ainda com o bebé dentro do útero.

A eficácia contra vários tipos de bactérias é a principal vantagem desta tecnologia que se encontra já em vias de ser protegida por patente. Como explicou Pedro Madureira “as infeções mais perigosas são causadas por diferentes estirpes de bactérias e uma vez que não existe uma única vacina capaz de proteger os recém-nascidos de infeções causadas por qualquer um desses microrganismos, torna-se evidente a grande relevância desta invenção”. A única alternativa de tratamento para esses casos seriam os antibióticos e numa atitude de tratamento e não de prevenção o que, como explica Pedro Madureira, é “completamente ineficaz em infeções ocorridas antes do parto”, além de contribuir fortemente para o aparecimento de novas estirpes de bactérias que se revelam altamente resistentes aos antibióticos.

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Paula Ferreira, do ICBAS, com Jorge Gonçalves, o vice-reitor para a Investigação e Desenvolvimento na altura da assinatura do contrato de licença da vacina.

Por trás desta descoberta está um intenso trabalho de anos, orientado por Paula Ferreira, investigadora do ICBAS. No entanto, para explicar melhor, é necessário voltar atrás até à investigação do professor Mário Arala Chaves que conseguiu descobrir que “alguns agentes patogénicos tinham a capacidade de libertar moléculas que “desligavam” o sistema imune do hospedeiro”, contextualiza Pedro Madureira, explicando o processo até chegar ao estado atual. Já com Paula Ferreira a liderar este projeto de investigação, chegou-se à conclusão que a maior parte das bactérias que causam doenças graves em recém-nascidos “usam exatamente a mesma estratégia para impedir o sistema imune do bebé de funcionar corretamente”, fazendo com que fosse mais fácil idealizar uma solução eficaz, explica Pedro Madureira.

Neste momento, a equipa científica está a trabalhar no desenvolvimento da vacina propriamente dita, até para “desvendar novos mecanismos de atuação do sistema imune”, refere o investigador. Uma vez que toda esta investigação profunda se centrou em estudar como certas bactérias conseguiam “escapar ao sistema imune”, os próximos passos a dar centram-se, sobretudo, em aproveitar esta descoberta para compreender e tratar outro tipo de patologias do sistema imune. A invenção da equipa do ICBAS está já licenciada à empresa Immunethep, aspeto que a equipa de investigação refere como vital para o desenrolar de todo o processo: “Todo o trabalho de décadas foi sempre efetuado sob um ponto de vista científico e sob a perspetiva de cientistas. Os empreendedores da Venture Catalyts, com uma experiência sólida na comercialização, vieram trazer ideias completamente inovadoras que permitiram orientar toda a investigação de uma maneira muito mais pragmática”, refere Pedro Madureira acrescentando que, assim, foi possível “iniciar um processo que permite que uma ideia científica seja traduzida num produto que pode salvar vidas”.

KIMERAA reúne empresas start-up, empresas internacionais e U.Porto no Fórum do Mar 2014

Realizou-se no passado dia 28 de Maio no Fórum do Mar (Exponor, Matosinhos), uma sessão A2B (Academia to Business) dedicada ao Mar. O evento procurou funcionar como um elo entre a comunidade científica e a empresarial, permitindo a partilha de conhecimentos em investigação, empreendedorismo e inovação no domínio da economia do Mar.

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Investigadores e membros de empresas assistem a uma das apresentações

A importância da colaboração entre os diferentes atores envolvidos na economia do Mar para uma efetiva transferência de conhecimento e tecnologia, e também para o sucesso das regiões envolvidas foi palavra de ordem para as cerca de 30 pessoas (entre investigadores, empreendedores e empresas) presentes nesta A2B. A troca de ideias foi animada entre todos os que quiseram expor competências, projetos, desafios e dificuldades encontradas quando se trata da economia do Mar.

Dada a diversidade de temas e abordagens no que toca a esta temática, o evento foi organizado em torno de três painéis, dedicados a temas diferentes. O primeiro, dedicado à exploração de atividades relacionadas com a Biotecnologia, contou com a presença e intervenção de dois centros de investigação de referência na Região Norte: Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), e Centro Indisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR). Ambas as unidades apresentaram trabalhos que têm vindo a desenvolver nas respetivas linhas de investigação. No caso do LEPABE realizou-se um “pitch” na área dos biofilmes e no caso do CIIMAR a intervenção incidiu mais na investigação na área da biorremediação de contaminantes nas zonas costeiras e estuarinas. Além dos investigadores, este painel contou também com a participação de um representante da empresa Bluemater, sedeada no UPTEC, cuja atividade principal reside no tratamento de águas potáveis e residuais, e também da empresa MARINNOVA, uma jovem empresa focada no fornecimento de serviços e produtos na área das ciências marinhas e ambientais.

Já o segundo painel, dedicado aos veículos autónomos, contou com a intervenção de investigadores do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FEUP, mais especificamente do Laboratório de Sistemas e Tecnologias Subaquáticas, que apresentaram atividades e projetos em torno de veículos aéreos não tripulados (UAVs) e veículos autónomos subaquáticos (AUVs). As empresas presentes neste painel foram a Abyssal, especialista em sistemas operativos para veículos operados remotamente, e a Critical Software, que apresentou o projeto “Oversee Search and Rescue”, desenvolvido em colaboração com a Marinha Portuguesa.

Para fechar a sessão, o terceiro painel debruçou-se sobre questões relacionadas com as infraestruturas portuárias e de defesa e proteção costeira, com intervenções de diversos representantes do Laboratório de Hidráulica do Departamento de Engenharia Civil da FEUP. Nesta troca de ideias participaram também representantes da APDL – Porto de Leixões, apresentando projetos de grande envergadura que se encontram em curso, nomeadamente o reforço da interoperabilidade nas redes de serviços logísticos. Uma empresa italiana, a Technital, também fez parte deste último painel da sessão A2B, expondo algumas das suas necessidades de I&D.

Esta foi uma das últimas atividades do projeto KIMERAA que, após ter visto aprovada uma fase adicional de implementação, irá terminar no final deste ano. Durante a sessão, os participantes puderam assistir ainda a uma breve apresentação deste projeto, seus objetivos e atividades. O KIMERAA durou quatro anos e envolveu cinco países (incluindo Portugal) que trabalharam em conjunto para procurar soluções para dinamizar o cluster do Mar.