Otitest está a chegar ao mercado

É o primeiro dispositivo medidor de otites e foi desenvolvido na U.Porto com a assinatura de uma equipa de investigação da FEUP. A Metablue, empresa responsável pelo produto, anuncia a chegada do Otitest às farmácias e parafarmácias já nos primeiros meses de 2015.

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Trata-se de um dispositivo digital que, através da medição de cor no tímpano, é capaz de detetar otites num estado inicial. “Ao contrário do habitual, este otoscópio tem um pequeno computador que analisa os dados recolhidos e classifica a inflamação de acordo com 4 níveis”, explica Joaquim Gabriel Mendes, um dos investigadores da equipa da FEUP. Depois, o resultado aparece como negativo ou positivo, à semelhança do que acontece com os testes de gravidez. O Otitest foi desenvolvido a pensar nas famílias e nas vantagens de detetar mais cedo uma doença que afeta principalmente as crianças: “tal como um termómetro, foi desenhado para existir em todos os lares e por isso é muito simples de usar”, conta o investigador. É por isso que vê agora com muita satisfação a tecnologia a chegar ao mercado e aos portugueses, que poderão contar com esta preciosa ajuda, evitando complicações que poderiam surgir caso a infeção fosse detetada numa fase mais avançada.

O caminho da ideia até à comercialização começou em 2011, quando a U.Porto estabeleceu um contrato de parceria com a empresa Metablue Solutions LDA, uma start-up cuja missão passa por acrescentar valor à indústria dos dispositivos médicos. Reconhecendo as vantagens do aparelho medidor de otites, a Metablue encarregou-se do desenvolvimento do produto e estabeleceu uma parceria com a empresa Ferraz Lynnce que estará encarregue da distribuição do Otitest em Portugal, Espanha, França e Angola. Estando a certificação do aparelho junto do Infarmed quase concluída, o Otitest deverá estar à venda em farmácias e parafarmácias no primeiro trimestre de 2015, com um custo previsto de 50 euros.

Assumindo-se a Metablue como uma empresa global e concentrada na internacionalização, os planos para 2015 estendem-se ainda aos mercados dos Estados Unidos e da América Latina, para onde tencionam levar o Otitest no final do próximo ano. “Por agora a atividade centra-se fundamentalmente em Portugal mas o facto de possuir licença de patentes internacionais (além das nacionais) permite que a Metablue ambicione internacionalizar-se a curto prazo”, conta Diamantino Lopes, CEO.

Uma empresa que “já nasceu global”

A Metablue Solution LDA é uma empresa spin-off U.Porto criada em 2011 no âmbito do Mestrado de Inovação e Empreendedorismo Tecnológico (MIETE) da FEUP. É constituída por cinco pessoas e, como refere Diamantino Lopes, tem como um dos principais objetivos criar um “pipeline de projetos e investimento, com o objetivo de transformar descobertas e tecnologias originais em aplicações comercialmente relevantes”. A missão da empresa é acrescentar cada vez mais valor ao ramo dos dispositivos médicos e têm já mais dois produtos em carteira: o Lipotool e o Laringoscópio Digital, também de investigadores da FEUP.

Na opinião de Diamantino Lopes a relação com a Universidade, principalmente a disponibilidade em “concretizar todo o processo de transferência de conhecimento para a Metablue”, tem sido fundamental para o sucesso dos projetos da start-up. “Não tenho qualquer problema em admitir que sem a relação de parceria estabelecida com a U.Porto o projeto não estaria na fase em que se encontra”, conclui.

Universidade do Porto licencia Kits inovadores que determinam em 60 minutos qual o antibiótico adequado

Ao invés das atuais 48 horas necessárias para diagnóstico, os kits atualmente em desenvolvimento pela FASTinov conseguem descobrir em apenas uma hora a que antibióticos é resistente o agente provocador de uma certa infeção bacteriana. Como refere Cidália Pina Vaz (FMUP), uma das investigadoras do grupo, deste modo “é possível dirigir a terapêutica e medicar com segurança”.

Na opinião da investigadora e docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), “avizinham-se tempos muito difíceis sem armas de combate às infeções, com os antibióticos cada vez mais resistentes”, diz. Essa noção, aliada ao facto de trabalhar diariamente na rotina de um grande hospital fez com que, juntamente com Acácio Rodrigues e Sofia Oliveira, quisesse procurar uma solução. “Perante uma suspeita de infeção, os clínicos enviam para o laboratório amostras do doente, no sentido de esclarecer a causa da infeção. O facto de os resultados demorarem 48 horas a chegar faz com que os médicos receitem, empiricamente, um ou mais antibióticos. Devido ao aumento das resistências, essa tarefa é cada vez mais um tiro no escuro. Caso a bactéria seja resistente ao antibiótico receitado, o doente pode mesmo morrer ou apresentar complicações graves”, explica Cidália Pina Vaz. Foi então que surgiu a ideia de desenvolver estes kits de diagnóstico, que diminuem o tempo de espera da análise de amostras corporais de dois dias para apenas uma hora (após um período de incubação da bactéria, que demora 24 horas).

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Para acelerar um processo atualmente praticado nos laboratórios de todo o mundo, a equipa da FASTinov recorre a uma tecnologia já existente mas que ainda não tinha sido usada na área da microbiologia: “Estes kits permitem marcar o efeito ou a lesão (provocada por um dado antibiótico) com substâncias fluorescentes, conseguindo concluir rapidamente se o microrganismo é resistente”, refere a investigadora. Deste modo, é possível não só diminuir o tempo de espera como também evitar o contágio isolando rapidamente o doente, reduzindo assim os custos hospitalares associados. Cidália Pina Vaz acrescenta ainda que, com esta tecnologia, será possível “esclarecer os principais mecanismos de resistência dos microrganismos, fundamental para a compreensão da transmissão e desenho de novas terapêuticas, bem como garantir um tratamento seguro e atempado evitando mortalidade “, diz.

O próximo passo é introduzir o produto no mercado. Os primeiros kits a serem disponibilizados serão os de avaliação da suscetibilidade nos agentes mais frequentemente isolados em laboratórios como por exemplo E.coli ou Pseudomonas. Encontram-se atualmente em fase de certificação. A tecnologia deu também origem a um registo de patente nacional e internacional (ambos pendentes), tendo sido licenciada à empresa spin-off FAstInov

Vacina neonatal pretende proteger os bebés através da imunização das mães

Paula Ferreira, investigadora do ICBAS, lidera este grupo de investigação que tem, desde o início, um objetivo muito claro: combater a morte de milhões de recém-nascidos por infeções bacterianas. Esta tecnologia da U.Porto foi agora licenciada.

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O objetivo foi claro desde o início: combater a morte anual de milhões de recém-nascidos e também os milhões de nados-mortos, por infeções bacterianas. Uma vez impossível administrar o fármaco nos embriões, a resposta para este problema passa por imunizar as mães, como explica Pedro Madureira, um dos inventores: “Tendo em conta a altura em que estas infeções ocorrem, é impossível administrar a vacina diretamente ao bebé e, mesmo que fosse possível, não teria qualquer benefício imediato”. Deste modo, e vacinando a mãe, os anticorpos vão passar para os filhos, protegendo-os. Pedro Madureira acrescenta que “os anticorpos desenvolvidos por esta vacina conseguem atravessar a placenta”, tornando a invenção extremamente eficaz até em casos de infeção ainda com o bebé dentro do útero.

A eficácia contra vários tipos de bactérias é a principal vantagem desta tecnologia que se encontra já em vias de ser protegida por patente. Como explicou Pedro Madureira “as infeções mais perigosas são causadas por diferentes estirpes de bactérias e uma vez que não existe uma única vacina capaz de proteger os recém-nascidos de infeções causadas por qualquer um desses microrganismos, torna-se evidente a grande relevância desta invenção”. A única alternativa de tratamento para esses casos seriam os antibióticos e numa atitude de tratamento e não de prevenção o que, como explica Pedro Madureira, é “completamente ineficaz em infeções ocorridas antes do parto”, além de contribuir fortemente para o aparecimento de novas estirpes de bactérias que se revelam altamente resistentes aos antibióticos.

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Paula Ferreira, do ICBAS, com Jorge Gonçalves, o vice-reitor para a Investigação e Desenvolvimento na altura da assinatura do contrato de licença da vacina.

Por trás desta descoberta está um intenso trabalho de anos, orientado por Paula Ferreira, investigadora do ICBAS. No entanto, para explicar melhor, é necessário voltar atrás até à investigação do professor Mário Arala Chaves que conseguiu descobrir que “alguns agentes patogénicos tinham a capacidade de libertar moléculas que “desligavam” o sistema imune do hospedeiro”, contextualiza Pedro Madureira, explicando o processo até chegar ao estado atual. Já com Paula Ferreira a liderar este projeto de investigação, chegou-se à conclusão que a maior parte das bactérias que causam doenças graves em recém-nascidos “usam exatamente a mesma estratégia para impedir o sistema imune do bebé de funcionar corretamente”, fazendo com que fosse mais fácil idealizar uma solução eficaz, explica Pedro Madureira.

Neste momento, a equipa científica está a trabalhar no desenvolvimento da vacina propriamente dita, até para “desvendar novos mecanismos de atuação do sistema imune”, refere o investigador. Uma vez que toda esta investigação profunda se centrou em estudar como certas bactérias conseguiam “escapar ao sistema imune”, os próximos passos a dar centram-se, sobretudo, em aproveitar esta descoberta para compreender e tratar outro tipo de patologias do sistema imune. A invenção da equipa do ICBAS está já licenciada à empresa Immunethep, aspeto que a equipa de investigação refere como vital para o desenrolar de todo o processo: “Todo o trabalho de décadas foi sempre efetuado sob um ponto de vista científico e sob a perspetiva de cientistas. Os empreendedores da Venture Catalyts, com uma experiência sólida na comercialização, vieram trazer ideias completamente inovadoras que permitiram orientar toda a investigação de uma maneira muito mais pragmática”, refere Pedro Madureira acrescentando que, assim, foi possível “iniciar um processo que permite que uma ideia científica seja traduzida num produto que pode salvar vidas”.

José Cavalheiro apresenta a sua “janela inteligente”

A patente do investigador destina-se a substituir as cortinas e permitir o aproveitamento da energia solar e está concedida em Portugal e nos Estados Unidos. Ler mais.

José Cavalheiro é um antigo professor da FEUP, agora reformado.

José Cavalheiro é um antigo professor da FEUP, agora reformado.

A ideia surgiu quando José Cavalheiro identificou a necessidade de simplificar os tradicionais “cortinados estores” das janelas de hotéis, uma vez que são sistemas caros e sempre sujeitos a avarias frequentes. Este aspeto aliado ao já conhecido desperdício de energia, fez nascer a “janela inteligente”.

Apesar de ainda não terem sido feitas provas no mercado, o antigo professor da FEUP acredita que, enquanto ideia, a “janela inteligente” é um sucesso. Dificuldades à parte, José Cavalheiro tem tentado, com o apoio da UPIN, divulgar o sistema junto de empresas interessadas na ideia mas, como o próprio refere, embora tenham sido abordadas várias empresas da área, as mesmas, “ainda não se empenharam suficientemente para conseguirem, em tempo útil apresentar soluções construtivas compatíveis com o mercado”.

O que é a janela inteligente?

Trata-se, como o próprio nome indica, de uma janela, que pode ser utilizada também como portada ou claraboia, integrando-se em harmonia na estrutura dos edifícios, “ao contrário do que acontece com os painéis solares convencionais”, diz José Cavalheiro. Explicada de forma simples, “a janela permite um grande aproveitamento da energia solar regulando de forma gradual a intensidade de luz que entra num edifício através da sua capacidade de absorção de energia solar por um filme líquido de espessura variável”, conta o investigador. Além disso, a “janela inteligente” permite, conforme se deseje, tanto o sombreamento (sem perda de visibilidade) como o completo isolamento luminoso da divisão onde a janela estiver instalada.

A janela inteligente aproveita a energia solar.

A janela inteligente aproveita a energia solar.

“Os caixilhos de suporte dos vidros são ligados por uma membrana flexível que permite alterar a distância entre os vidros e daí fazer variar a espessura do filme líquido. A espessura do mesmo é alterada em função do nível de vácuo aplicado a um depósito para e de onde o líquido pode ser transferido. A pressão interna, inferior à atmosférica, permite compensar a coluna de líquido que de outro modo exerceria uma grande força sobre os vidros. Quando entra líquido para o espaço entre os dois vidros a janela escurece, de forma uniforme e gradual, passando a absorver a energia solar incidente”, explica o investigador.

Quanto aos próximos passos a dar, José Cavalheiro refere que “está a ser construída uma nova versão da janela pela Ourseal, empresa ligada às energias renováveis que pretende fazer a demonstração usando tecnologia de produção mais próxima de uma versão comercial”. A tecnologia está patenteada em Portugal e Estados Unidos, encontrando-se em análise a possibilidade de concessão na Europa. O Professor José Cavalheiro está, neste momento, aposentado mas tal não significa que esteja parado pois mantém ligação à U.Porto através dos projetos de I&D que continua a empreender na área dos materiais. Está também envolvido em iniciativas cívicas que, não sendo tecnológicas, procuram trazer inovação à nossa sociedade.

D-scan promete revolucionar a medicina oftalmológica.

A tecnologia de lasers ultra-curtos venceu o iUP25k de 2013 e está agora em processo de licenciamento à empresa Sphere Ultrafast Photonics.

O d-scan em ação.

O d-scan em ação.

As utilizações desta tecnologia criada por Hélder Crespo (Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) vão desde a terapia e diagnóstico avançados em oftalmologia até ao processamento de materiais com alta precisão. O aparelho chama-se d-scan (abreviatura de dispersion-scan) e incorpora “uma nova arquitetura capaz de medir e controlar impulsos laser ultra-curtos com durações sem precedentes, próximas dos 3 femtosegundos”, diz Hélder Crespo. É uma tecnologia de laser ultrarrápida, que vai permitir melhorar o modo como se constroem novos lasers. Isso significa que o d-scan consegue resolver a dificuldade existente em medir e controlar a aplicação de impulsos laser ultracurtos nas suas diversas aplicações, permitindo assim melhores desempenhos, nomeadamente na microscopia, na medicina e neurociências, na química e na física, assim como no estudo e processamento de materiais.

imagem sphere“Desde há cerca de quinze anos que não se faz inovação significativa nas técnicas de medida de impulsos laser ultra-curtos, mas os próprios lasers têm evoluído e as técnicas de medida existentes não acompanharam totalmente essa evolução”, diz Hélder Crespo quando questionado sobre como surgiu a ideia para criar o d-scan. O aparelho é único, não existindo neste contexto outra técnica de medida ótica que permita o diagnóstico das novas fontes laser. Hélder Crespo acrescenta ainda que, quando em comparação com outros produtos existentes no mercado o d-scan marca a diferença por “não utilizar técnicas interferométricas para medir os impulsos e também pela sua capacidade de, simultaneamente, controlar a dispersão dos mesmos”. Na opinião do investigador, são estas diferenças que dão a vantagem competitiva à tecnologia, uma vez que consegue obter “medidas fiáveis e exatas mais rapidamente”, acrescenta. Em suma, o aparelho consegue medir impulsos mais curtos do que qualquer outra tecnologia, de uma maneira mais simples, robusta e fiável, permitindo uma monitorização mais eficaz e rápida dos resultados.

Todos estes motivos levaram a que esta ideia fosse a grande vencedora da edição de 2013 do iUP25k  o que, na opinião de Hélder Crespo, foi um marco “muito importante para destacar a inovação inerente ao d-scan”. Para o investigador o prémio em si foi decisivo para os passos que se seguiram: “Foi um auxílio para a compra de componentes para o protótipo beta do d-scan e para podermos iniciar a incubação no UPTEC, algo que tem sido muito produtivo pelo acesso a investidores e formação”, acrescenta.

Nesta longa e produtiva jornada, Hélder Crespo refere o apoio da UPIN como “um contributo e ajuda muito importantes em todo o processo”. A tecnologia da U.Porto encontra-se agora em processo de licenciamento à empresa Sphere Ultrafast Photonics e os investigadores envolvidos estão também a procurar angariar financiamento para conseguirem desenvolver o projeto. A equipa está focada em produzir e colocar no mercado a “mais precisa tecnologia de controlo de laser de impulsos ultrarrápidos de sempre”, rematou Hélder Crespo.

Rússia, Austrália e Canadá já fazem parte do portfólio de países onde há patentes da U.Porto

A Universidade do Porto conseguiu, pela primeira vez, a concessão de pedidos de patente internacionais na Austrália, Canadá e Rússia.

A partir deste ano, a entidade que quiser explorar comercialmente uma tecnologia inovadora na luta contra o cancro, desenvolvida pela professora Anabela Cordeiro (FFUP) – em destaque nesta edição da Newsletter UPIN – terá exclusividade nos primeiros dois países. A invenção pretende proteger a actividade anticancerígena e antiparasitária de compostos chamados BNIPs, que podem ser capazes de tratar alguns tumores e algumas doenças infecciosas (da família da tripanossomíase). A patente também foi concedida nos Estados Unidos, no início de 2013.

NAVMETRO

NAVMETRO

Paralelamente, uma tecnologia desenvolvida pelo professor Diamantino Freitas (FEUP), destinada a facilitar a vida dos invisuais, passou a estar concedida na Rússia em Fevereiro.  O NAVMETRO® é um sistema de orientação, navegação e informação destinado a pessoas cegas, com o objetivo de tentar melhorar as possibilidades destes cidadãos deficientes na utilização do Metro do Porto. Os invisuais não têm acesso à informação afixada e não podem encontrar facilmente o seu caminho até à zona de embarque. Contornando esta situação, Diamantino Freitas idealizou um sistema de atendimento telefónico automático por voz, ao qual o passageiro pode aceder através de uma chamada pelo seu telemóvel, conseguindo assim escolher o destino e saber os horários do transporte. Depois, quando quiser iniciar a viagem, será conduzido até à plataforma através de sons audíveis na estação.

 Patentes portuguesas

No panorama nacional foram três as concessões alcançadas para a Universidade do Porto, provenientes das Faculdades de Ciências, Engenharia e Farmácia. A primeira, concedida no mês de Maio, tem a assinatura da professora Madalena Pinto (FFUP) e da sua equipa de investigação (Maria Emília Pereira de Sousa, Marta Carvalho Guerra, Franklim Marques e Félix Dias Carvalho). A invenção consiste num composto farmacêutico formado por Xantonas Sulfatadas, que mostraram ter grande actividade anticoagulante.

Ainda no mês de Março, o “Macaco plano para determinação do estado de tensão “insitu””, passou também a estar protegido em território nacional. Trata-se de uma ferramenta que permite avaliar a tensão em algumas construções, nomeadamente a deformabilidade das paredes de alvenaria (tijolo). A solução criada pelo investigador João Paulo Guedes da Faculdade de Engenharia da U.Porto e pelos restantes membros da sua equipa (Aníbal Guimarães da Costa e Luís Filipe Miranda) foi desenvolver um macaco plano tecnologicamente muito mais avançado do que os existentes, capaz de medir e registar essas deformações em tempo útil. Além disso, é possível reusar o equipamento sem perdas de desempenho e sem necessidade de calibrações sistemáticas, utilizando novos materiais mais elásticos e flexíveis.

Já no mês de Abril, a tecnologia Microextração por Difusão Gasosa foi patenteada em Portugal. Explicada de forma simples, esta tecnologia é uma nova forma de extracção de compostos para fins analíticos, com vantagens em termos de tempo, custo e precisão, ou até mesmo a nível ambiental. A extracção consiste na imersão, numa amostra, de uma “sonda” com uma membrana microporosa na ponta que, através de uma combinação de fatores químicos e físicos, consegue extrair uma pequena quantidade do composto que se deseja analisar. As mentes por trás desta invenção são Aquiles Araújo Barros, José Rodrigues, Luís Gonçalves e João Pacheco, todos da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

Eles ganharam o iUP25k 2013… e agora?

Numa edição única, com um recorde de candidaturas perto das 70, as áreas da saúde e das TIC’S foram as mais premiadas. O concurso de ideias de negócio da Universidade do Porto atribuiu um total de 25.000€ em prémios aos promotores, que contam aqui os seus próximos passos, depois desta conquista no iUP25k 2013.

1º Prémio: Sphere Ultrafast Photonics

1º Prémio: Sphere Ultrafast Photonics

Sphere Ultrafast Photonics, de Rosa Muñiz e Hélder Crespo (FCUP), levou para casa o primeiro prémio (15.000€) graças à sua tecnologia de laser ultrarrápida que criaram a partir da U.Porto, desenhada para melhorar o desempenho da nova geração de lasers de impulsos ultracurtos, o que vai permitir melhorar o modo como se constroem novos lasers, com aplicação em diversas áreas, nomeadamente nos tratamentos em oftalmologia, na investigação ao nível da microbiologia e da medicina, assim como no processamento de materiais de alta precisão.A tecnologia já se encontra patenteada e, neste momento, a equipa de investigação está focada em produzir e colocar no mercado a “mais precisa tecnologia de controlo de laser de impulsos ultrarrápidos de sempre”, disseram os membros da equipa. e a adequá-lo às exigências do mercado, , contando para tal com a valiosa ajuda de experientes mentores da SHARE – Associação para a Partilha do Conhecimento, entidade parceira do iUP25k. Além disso, vital nesta fase é também contactar investidores e potenciais clientes, para que a empresa e a tecnologia possam ter sustentabilidade. A criação da empresa está a avançar e conta com a participação de sócios estrangeiros que também participaram no projeto de investigação e desenvolvimento da tecnologia.AdptTech e Taggeo também foram premiados

2º Prémio: AdaptTech

2º Prémio: AdaptTech

Em segundo lugar na competição ficou o projeto AdaptTech. A equipa de três estudantes da FEUP está, neste momento,a “efetuar o desenvolvimento tecnológico da ideia no que toca às componentes de software, enquanto aguarda pela libertação de verbas para concretização do protótipo”, contaram. Têm, simultaneamente, participado em reuniões de mentoring para otimizar ainda mais a estratégia de desenvolvimento do produto e, futuramente, incluí-lo no nicho de mercado correspondente. Esta tecnologia foca-se em melhorar a vida dos doentes amputados através da disponibilização de próteses mais confortáveis de usar. Através do desenvolvimento de um sistema que recorre à análise 3D da prótese e de cada pessoa, o projeto AdaptTech disponibiliza soluções que adaptam cada uma das próteses às características dos corpos dos seus utilizadores, o que se traduz em menos custos e sobretudo mais conforto.

3º Prémio: Taggeo

3º Prémio: Taggeo

Com o mesmo valor atribuído (5.000€), o projecto Taggeo levou para casa o terceiro prémio. O Taggeo é já uma promissora nova rede social que utiliza a geolocalização para possibilitar, entre outros, a implementação de campanhas de marketing interativo e georeferenciado. Os três estudantes que a desenvolveram encontram-se agora a aprimorar a tecnologia e a atualizar o “modelo de negócio, fruto das sessões de mentoring, provenientes do prémio”, contou a equipa. Na opinião dos três inventores, a experiência adquirida nestas sessões tem sido essencial para orientar a estratégia da equipa e para se aproximarem cada vez mais do próximo objetivo: começar, no Outono, a incubação e o programa de aceleração no Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto – o UPTEC. “Temo-nos sentido muito mais preparados para, enquanto startup, desenvolver um produto que traz ainda mais valor acrescentado para os seus utilizadores”, explicaram.