Universidade do Porto cada vez mais envolvida no Empreendedorismo Social

O lançamento do “Manual para Transformar o Mundo”, do IES, e o “Roteiro para o Empreendedorismo Jovem”, da Fundação da Juventude, foram alguns dos eventos ligados ao Empreendedorismo que a U.Porto, através da UPIN, apoiou em 2013.

Como diz Rita Baptista, coordenadora da formação do Instituto de Empreendedorismo Social (IES), “o Empreendedorismo Social está cada vez mais em alta” e a Universidade do Porto não quis deixar de acompanhar a viagem. Foi por isso que recebeu, no dia 5 de novembro, perante uma  audiência participativa, a sessão oficial de lançamento do livro “Manual para Transformar o Mundo”, na Reitoria da Universidade do Porto.

O pró-reitor, Carlos Brito, motivou o espírito empreendedor da assistência.

O pró-reitor, Carlos Brito, motivou o espírito empreendedor da assistência.

Trata-se de um manual de sobrevivência para que, como referiu Rita Baptista, “as ideias dos empreendedores possam fazer a diferença no bem-estar das comunidades e partam para a ação”. A iniciativa partiu do IES e da Fundação Calouste Gulbenkian e recebeu o apoio da Universidade do Porto, desde cedo envolvida no Empreendedorismo Social. Para Carlos Brito (pró-reitor para a Inovação e o Empreendedorismo), “Portugal precisa de 10 milhões de empreendedores e a Universidade do Porto quer estar envolvida nesse objetivo”. Abordando os aspetos essenciais para fazer resultar uma ideia empreendedora a nível social, o guia responde à questão: “Como transformar uma simples ideia num projeto com impacto na vida das pessoas e das cidades em apenas 10 passos?”, apresentando diferentes soluções. Quem quer transformar o mundo não tem tempo a perder, por isso, e através deste manual, vai ser capaz de transformar uma ideia numa solução inovadora com elevado impacto social, em apenas dez passos. No livro poderão encontrar-se as ferramentas necessárias para o desenvolvimento de novas ideias, estando assim acessível o conhecimento sobre empreendedorismo social num formato prático, simples e eficaz. O objetivo da publicação do IES é libertar o potencial das próprias ideias, de modo que  estas se possam concretizar em benefício de um mundo melhor.

O “Manual para transformar o Mundo” deu ainda origem a um movimento de transformação promovido pelo Instituto de Empreendedorismo Social e pela Fundação Calouste Gulbenkian, que também conta com o apoio da Universidade do Porto. O objetivo desta iniciativa é partilhar opiniões sobre o manual, assim como recolher contributos dos empreendedores e outros agentes sociais que ajudem nesta jornada para transformar o mundo. Ao longo da sessão, além da intervenção de Rita Baptista, foram também apresentados dois casos de sucesso no âmbito do Empreendedorismo Social: o projeto RIOS e o projeto ARREBITA.

Roteiro de Empreendedorismo Jovem

O Auditório da FLUP acolheu a passagem do Roteiro do Empreendedorismo Jovem

O Auditório da FLUP acolheu a passagem do Roteiro do Empreendedorismo Jovem

No dia 19 de novembro foi a vez de o Roteiro de Empreendedorismo Jovem se apresentar à comunidade académica, passando pela Faculdade de Letras da U.Porto. A iniciativa é da autoria da Fundação da Juventude com o apoio e parceria da Agência Nacional para a Gestão do Programa Juventude em Ação, e tem como público-alvo os jovens interessados em tirar da gaveta as suas ideias empreendedoras, colocando-as em prática. O “Roteiro do Empreendedorismo Jovem” destina-se a portugueses entre os 18 e 30 anos, sejam eles estudantes universitários, recém-licenciados ou até mesmo desempregados, desde que mostrem interesse em seguir um caminho empreendedor. Planeado para passar por todo o país, o Roteiro veio até ao Porto para apresentar aos jovens meios para empreender em Portugal e na Europa.

KTForce: projeto arrancou em força e UPIN é coordenadora

logo ktforceApós o arranque no dia 1 de Março de 2012, o projeto KTForce avançou com o plano de atividades.

No dia 11 de Julho teve lugar  a conferência “Boosting European Regional Development by improving technology transfer practices and policies”, dando continuidade à troca de impressões e ideias entre os parceiros do projeto KTForce, onze no total, todos provenientes de regiões europeias e com o mesmo intuito de promover e melhorar a transferência de tecnologia. Tornado possível pelo INTERREV IV C e co-financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, o projeto KTForce reuniu em Bucareste, Roménia, cerca de 80 pessoas representantes de instituições nacionais e europeias. A Universidade do Porto esteve presente apresentando o caso português da política de inovação ligada à área da Transferência de Tecnologia, bem como a sua experiência de participação em redes dinâmicas internacionais para a melhoria da qualidade dos seus processos.

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1ª Conferência do projeto KTForce

Abordaram-se temas como as boas práticas e políticas no âmbito do empreendedorismo, transferência de tecnologia e inovação. O público mostrou-se interessado com as temáticas abordadas pelos entendidos e houve ainda espaço para networking entre os participantes, trocando experiências e impressões.

No dia 12, de manhã, teve lugar a segunda study visit do projecto, com visitas a várias entidades activas na área de transferência de tecnologia da cidade de Bucareste, detectando bons exemplos na área e eventuais problemas da região. Os dias 12 (à tarde) e 13 foram dedicados à reunião geral de parceria do projeto, onde os representantes discutiram o mapeamento das boas práticas e políticas recolhidas durante o primeiro semestre do projecto.

Durante os três dias, os 11 parceiros do KTForce discutiram e partilharam opiniões sobre casos de sucesso de transferência de tecnologia nas suas regiões e sobre a forma como estes casos de sucesso poderão melhorar a definição das políticas de inovação nas regiões parceiras, num primeiro tempo, e nas regiões europeias, num segundo plano.
O próximo evento deverá acontecer na região de Grenoble, França, em Novembro, onde um seminário temático e uma visita de estudo serão organizados.

Mais informações sobre o projecto disponíveis no website do projeto.

U.Porto foi ao Douro conhecer os problemas da região

Investigadores ficaram a par dos problemas vividos pelos produtores de vinho

A região vinícola do Douro vive graves problemas ao nível racionalização dos recursos, mas estes podem ser ultrapassados com uma melhor mecanização, mais sustentabilidade e… uma maior intervenção do meio académico. Estas foram algumas das conclusões que resultaram da visita que um grupo de investigadores da Universidade do Porto realizou à zona vinícola do Douro no passado dia 8 de outubro, no âmbito da colaboração que tem vindo a ser desenvolvida com a ADVID (Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense).

Esta A2B session (Academia to Business)  incluiu paragens em três adegas da região (centro de vinificação da Sogrape, Quinta da Cavadinha e Quinta do Seixo), a comitiva da U.Porto, composta por investigadores das Faculdades de Ciências, Farmácia, Engenharia e do laboratório REQUIMTE, ouviu na primeira pessoa os problemas que afetam os produtores, com destaque para os relacionados com o desperdício de água. “Estes centros gastam muita água, não só na produção de vinho, mas também na limpeza dos equipamentos, que são dispendiosos e difíceis de manter”, destacou José Manso, presidente da ADVID, lembrando que”, para produzir um litro de vinho, gastam-se entre 400 a 700 litros de água”.

A ADVID alerta também para o “desperdício de recursos” sentido ao nível das estações de tratamento de resíduos, responsáveis por receber e tratar as águas sujas da produção do vinho. José Manso nota que estas englobam entre 5 a 15% dos custos de um centro de vinificação e recursos, motivo pelo qual considera necessária uma mudança na lei: “A legislação proíbe o uso dos resíduos das ETAR nas vinhas e por vezes vão lá parar lamas muito ricas em nutrientes, como o potássio, que poderiam ser aproveitadas pelos produtores”.

Charles Symington, do grupo Symington, enfrenta outro problema: não tem água suficiente perto da sua adega, para fazer “vinhos topo de gama”. Na Quinta da Cavadinha a água chega de camião, o que, devido aos elevados custos com o combustível, fez com que o produtor tenha apostado numa forte mecanização da adega com robots e lagares em inox (em substituição dos de granito, que gastam mais água para lavar), fazendo com que seja “cada vez mais possível fazer bom vinho com pouca água”, refere o produtor.

Paralelamente à mecanização, a crescente aposta na agricultura integrada, ao invés da agricultura biológica, é outra das soluções que vêm sendo aplicadas nas vinhas do Doutro. Para António Graça, responsável de I&D do grupo Sogrape, esta forma de produção “oferece mais sustentabilidade a longo prazo” e tem menos impactos ambientais que a convencional, mas menos risco económico que a biológica”. Na prática, “ só atacamos uma praga quando ela está a ser prejudicial e não só porque ela apareceu na vinha, ou tentamos pulverizar os fertilizantes só em dias de pouco vento, para não desperdiçar produto”, exemplificou.

Aproximar os produtores da Universidade

Nas vinhas do Douro, o objetivo é idêntico para os diferentes produtores: produzir vinho com a melhor qualidade possível, usando o mínimo indispensável de recursos. Um processo que, segundo os intervenientes, pode ser reforçado com o apoio da Universidade. Como referiu José Sarsfield Cabral, Pró-Reitor da U.Porto para a Melhoria Continua, “na produção de vinho os problemas são multidisciplinares e devemos estar atentos às possibilidades de os resolver”.

Adepto de uma maior aproximação entre produtores e investigadores, José Manso, da ADVID, realçou que a biodiversidade pode ser usada em proveito dos produtores e que “há que conhecer os organismos que nos ajudam a reduzir os químicos”. E acrescentou que “já existem dados recolhidos em amostragens de clones de castas diferentes da uva, que podem ser consultados pelos produtores de vinho da região e pelos investigadores para tornar esta cultura mais sustentável.

Da parte dos investigadores, Belmira Neto, da Faculdade de Engenharia, nota que, ao contrário do que se pensa, “o processo da viticultura não se restringe ao fabrico do vinho e há que pensar o processo como um todo, desde o início, na poda e na folhagem”. Nesse sentido, “o processo começa na vinha e só acaba na desmaterialização da garrafa de vidro”.

Cultivar parcerias inovadoras entre o grupo RAR, a U.Porto, Institutos Associados e empresas do UPTEC

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Foi este o lema da mais uma A2B (Academia to Business) que se concretizou no dia 16 de Maio de 2012 numa visita às estufas do grupo RAR por investigadores(as) da U.Porto e de Institutos Associados bem como por representantes do UPTEC e de empresas em incubação.
A comitiva, encabeçada pelo Professor Jorge Gonçalves, Vice-Reitor para a I&D e inovação, e pelo Responsável do grupo RAR, Eng.º Vergílio Folhadela, juntou-se ainda de madrugada em frente à Reitoria da U.Porto. O grupo incluiu membros com diversificadas competências científicas e tecnológicas bem como com diferentes percursos académicos e empresariais. Referimo-nos a responsáveis do CIBIO, FCUP, FEUP, FFUP, IDARN, INEGI, INESC TEC, IT Porto, UPTEC e das empresas Bluemater/Planeta Vivo, Foodintech e Ideia.M.

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Os caminhos de Portugal levaram a comitiva a Odemira, concelho onde se localizam as culturas protegidas (cultivadas em estufas) e não protegidas (cultivadas ao ar livre), biológicas e não biológicas, da empresa Vitacress, do grupo RAR. É também aí que se localiza a unidade de lavagem e empacotamento dos conhecidos produtos Vitacress, das folhas para saladas às cenouras, tomates, rabanetes e folhas aromáticas, que podemos encontrar nos supermercados Portugueses. A Vitacress descreveu à comitiva o conjunto de projetos de I&D que está a desenvolver, incluindo aqueles em parceria com grupos de I&D da U.Porto. Também revelou as suas prioridades de I&D para o futuro.

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Após um almoço tipicamente Alentejano a visita rumou a norte para as instalações da Horticilha, em Alcochete. Esta empresa é mais conhecida como Wight Salads, e tem como principal foco o mercado do Reino Unido. Nas estufas impera a cultura do tomate, desde o tomate cereja ao tomate pêra, em modo de produção convencional ou de produção biológica. Durante a apresentação da empresa e a visita às estufas, totalmente protegidas por vidro, o diretor da empresa foi partilhando com a comitiva as necessidades de I&D que pretendem superar.

O regresso a casa foi tardio mas a maioria dos investigadores(as) e representantes de empresas respondeu no inquérito de satisfação que esta longa jornada mais que satisfez na globalidade. Dos comentários realizados sobre a visita destacam-se a importância dada ao potencial destas iniciativas para alargar a rede de contactos académicos e empresariais e dada às oportunidades para conhecer a realidade empresarial nos seus múltiplos aspetos e para perceber “in loco” as necessidades das empresas.

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Ficou combinado com o grupo RAR que o próximo passo nesta interação A2B será a U.Porto enviar uma compilação de ideias e sugestões de colaboração de I&D com a Vitacress e a Wight Salads que a UPIN – Universidade do Porto Inovação irá recolher. Expressões de interesse por investigadores(as) da U.Porto para receberem informação sobre as prioridades de I&D destas empresas poderão ser enviadas para André Fernandes, afernandes@reit.up.pt. Este endereço também é o destino de ideias ou projetos que pretendam sugerir às empresas.

A2B session com CEDT: abordar a desmaterialização da informação e comunicação

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A sessão realizou-se na Reitoria da Universidade do Porto.

Teve lugar no passado dia 10 de Julho mais uma sessão A2B (A de Academia, B de Business) organizada pela UPIN, desta vez em parceria com o CEDT – Centro de Excelência de Desmaterialização em Transações. Focada nas novas tecnologias da informação e comunicação (TIC) esta sessão reuniu mais de 40 participantes,
desde investigadores a representantes de empresas, com interesse nas áreas focadas.

António Gaspar, representante do CEDT abriu a sessão realçando
o ênfase dado pelo centro à investigação, inovação e cooperação entre
universidades e empresas, pretendendo aumentar o investimento nacional nas TIC.
Na opinião do representante do CEDT, o principal desafio atual prende-se com a
necessidade emergente de promover um “Portugal Digital”, caminho esse que passa
por uma forte aposta nas novas tecnologias, aplicações eletrónicas,
desmaterialização de documentos, processos, etc.

Empresas associadas do CEDT interessadas em investir nas novas TIC  Foram várias as tecnologias apresentadas pelas empresas presentes nesta sessão,
todas elas tendo como preocupação principal tornar a vida das pessoas mais
fácil, objetiva e o manuseamento das TIC mais intuitivo.

Na opinião da SIBS, por exemplo, o futuro passará por soluções através das quais conseguiremos efetuar pagamentos através do telemóvel. A crescente expansão do mercado dos smartphones faz com que a maioria das empresas aposte neste rumo, dotando as pessoas de ferramentas úteis e imediatas, tirando o maior partido das novas tecnologias da informação e comunicação.

Antecipando o futuro, a EDP Inovação apresentou o seu interesse em fazer com que a Energy Web seja uma realidade em Portugal não esquecendo as preocupações ambientais e energéticas e o desenvolvimento sustentável do país. Todas as empresas presentes, mostraram uma grande adaptação às necessidades tecnológicas atuais,sabendo que é por aí que passa grande parte do futuro empresarial.

Um dos exemplos foi dado pela Vortal que considera vital serem as próprias empresas a criarem as suas “Smart Applications”, consoante vão surgindo oportunidades e/ou
necessidades. Na opinião do representante da empresa será errado colocar a
responsabilidade da criação de aplicações numa só entidade. Já a INCM –
Imprensa Nacional Casa da Moeda apresentou um conjunto de desafios de I&D
aos presentes. O objetivo final desses desafios é melhorar o desempenho de
tecnologias e soluções que a INCM oferece garantindo a segurança, que é apanágio
desta Instituição.

Por sua vez, a Quiiq apresentou soluções capazes de reunir a informação de múltiplos dispositivos num só, facilitando a monitorização e gestão de informação relativa à casa e à saúde das pessoas.

Centros de I&D da U.Porto e institutos associados disponibilizam às empresas uma panóplia de competências Os centros de I&D presentes apresentaram diversas competências e soluções com potencial para aumentarem o bem-estar da nossa sociedade.

O LIACC apresentou uma ferramenta de negociação baseada em mecanismos de inteligência artificial e auto aprendizagem que permitirá uma maior fluidez e robustez de ambientes que lidam com grandes quantidades de transações e interações como por exemplo os marketplaces.

Já o INESC TEC lembrou aos presentes as inúmeras competências e projetosrealizados nas TIC o que o leva a ser uma das mais reputadas instituições nacionais neste domínio.

O CRACS e a equipa da Reitoria dedicada à Universidade Digital para além de terem mostrado a infraestrutura documental segura que desenvolveram para a U.Porto avançaram com propostas de administração desmaterializada capazes de diminuir as burocracias e facilitar os processos das organizações.

Pelo seu lado a FAUP revelou a sua proposta para trabalho colaborativo nas áreas da Arquitectura e Urbanismo, Design e Ensino Universitário ligado às Artes. A plataforma ARC+D articula tecnologias digitais em banda larga permitindo a estruturação, representação interativa, partilha e alteração de conteúdos ligados a essa áreas das indústrias criativas e do planeamento.

O CETAC Media fez uma esclarecedoraapresentação do seu trabalho, desenvolvido desde 2007. O centro de estudos foca-se, em “informação e comunicação em novos contextos com mediação tecnológica” e está, neste momento, a apostar fortemente na internacionalização dos seus projectos, destacando-se as ligações com os países lusófonos.

Finalizando as apresentações dos institutos associados da U. Porto, o CINTESIS apresentou-se como um centro de pesquisa na área da saúde, preocupado em tornar-se num pólo de inovação e mudança, aproximando pacientes e doentes através das novas tecnologias da informação, eliminando assim as barreiras existentes entre ambos. Um dos principais objectivos do CINTESIS é identificar as necessidades tanto dos doentes como dos profissionais de saúde, proporcionando melhores condições nesta área.

A irreverência das empresas do UPTEC também marcou presença

Foram cinco as empresas do UPTEC presentes nesta sessão A2B, todas elas
com propostas inovadoras para esta que é uma era cada vez mais digital no que
toca à comunicação.

A Last2ticket, por exemplo, relembrou as vantagens de se poder adquirir bilhetes para espectáculos, transportes, exposições, etc, por via electrónica.
Por sua vez, a LabOrders propõe levar a actividade científica e laboratorial para o próximo nível, tornando possível que os cientistas encomendem produtos, equipamento e matérias-primas por via digital, facilitando o processo e evitando tempos de espera desnecessários.

O tempo é também um fator chave no trabalho da Inov Retail, que apresentou uma
proposta aliciante para empresas de comércio a retalho: o seeplus. Esta plataforma armazena num só local e facilita o planeamento e gestão de informação relativa aos estabelecimentos dos retalhistas.

Já a FoodIntech, familiarizada com o espirito desmaterializador deste evento, apresentou o SIGA – Sistema Integrado de Gestão Alimentar, como uma solução que dá resposta às necessidades de registo, monitorização e gestão de informação pelas empresas agroalimentares.

A GisGeo realizou uma fundamentada apresentação sobre as soluções que desenvolveu envolvendo sistemas de informação geográfica. As suas soluçõesencontram aplicação em diversos sectores como por exemplo as áreas da cultura, lazer ou também na energia, transportes ou medicina.

Networking e troca de experiências

Apesar do grande número de apresentações houve, durante toda esta reunião, espaço e vontade de discussão entre os investigadores e representantes das empresas, considerando eventuais colaborações futuras. Os participantes mostraram-se interessados com as propostas apresentadas por cada um, constatando que atecnologia também contribuirá para facilitar a comunicação entre os diversos agentes de inovação.

A discussão prolongou-se para além da hora da sessão, podendo os participantes expor as suas dúvidas e sugestões, indo de acordo ao espirito destas sessões: promover uma discussão saudável e produtiva, sondar oportunidades de cooperação entre investigadores e entre a universidade e as empresas fazendo com que o diálogo seja cada vez mais “possível, informal e despretensioso”, como referiu o Professor Jorge Gonçalves, falando em nome da Universidade do Porto.

Tecnologias da saúde dominam patentes da U.Porto

Cerca de 42% do total das comunicações de invenção submetidas à Universidade do Porto são provenientes da área da saúde, fazendo desta área do conhecimento uma das mais promissoras em termos de impacto da I&D da U.Porto na sociedade.

Apresentados durante a última A2B session, organizada pela Universidade do Porto Inovação (UPIN) e pela Faculdade de Engenharia (FEUP), os resultados traduzem o trabalho desenvolvido pelos cerca de mil investigadores que povoam os onze centros de investigação da U.Porto na área da saúde. Além disso, “37% das publicações da Universidade são sobre este tema”, aponta Maria Oliveira, coordenadora da UPIN, o gabinete de transferência de tecnologia da U.Porto.

O Walkingsense é um dos produtos patenteados pela U.Porto na área da saúde

De todas as patentes ativas atualmente na U.Porto, cerca de 34% são da área da saúde. Entre os casos de sucesso destacam-se o dispositivo WalkinSense, desenvolvido pela Tomorrow Options, o Bonelike® da Medmat, ou o otoscópio digital, da Metablue.

Mas se o número de comunicações de invenção recebidas pela Universidade é elevado, nem todas chegam a um produto final. “As tecnologias precisam de um grande compromisso e envolvimento, principalmente as da área da saúde”, nota Maria Oliveira.

I&D em debate

Sessão reuniu mais de 50 membros de empresas e investigadores de universidades de todo o mundo

Sessão reuniu mais de 50 membros de empresas e investigadores de universidades de todo o mundo

Realizada no passado dia 23 de outubro na Reitoria da U.Porto, no âmbito do BIN@Porto, a última sessão “Academia to Business” (A2B), designada “Health Tech International Meeting”, contou com mais de 50 membros de empresas e investigadores de universidades de países como Portugal, o Reino Unido, Uruguai, Espanha e Brasil, que tiveram a oportunidade de expor as suas descobertas e invenções na área da saúde. Do encontro resultou ainda a partilha de experiências e o desenvolvimento de possibilidades de parcerias futuras.

Ao longo da sessão chegou-se à conclusão que a aplicação dos resultados de I&D na área da saúde apresenta os mesmos problemas em países diferentes. Entre eles destaca-se a falta de investimento em prova de conceito, as dificuldades de comunicação entre investigadores e empresas e o demorado processo até uma invenção se tornar num produto concreto.

Membros da empresa GlaxoSmithKline (Reino Unido), do IMIBIC (Espanha), do Fraunhofer Portugal, da empresa BluePharma (Portugal) e de universidades como a de São Paulo, do Porto e Sheffield, lamentaram o processo moroso por que as tecnologias passam até chegar ao mercado. “A experimentação e os testes podem demorar anos e é preciso encontrar mais empresas interessadas em contribuir para esses custos”, referiu Fernando Jorge Monteiro, do INEB.

A importância das nanotecnologias discutida no 3º Fórum Nanovalor

Projeto Nanovalor concluiu que aposta em nanotecnologia pode aumentar a competitividade das empresas

Cada vez mais presente no universo das empresas e da investigação científica, a nanotecnologia “pode contribuir muito para aumentar a competitividade entre as empresas”. A sentença é de Jorge Gonçalves, vice-reitor da Universidade do Porto com o pelouro da Inovação, e marcou o 3º Fórum Nanovalor, evento que reuniu na Reitoria da U.Porto mais de 50 membros do consórcio com o mesmo nome num debate sobre as potencialidades da nanociência e na nanotecnologia na Euroregião de Portugal e da GalizaDurante o encontro, realizado a 25 de setembro, foram apresentadas as principais conclusões retiradas do documento “Barreiras e Fatores Críticos de Sucesso na Comercialização de Resultados Nano”. O pouco investimento em I&D e a existência de poucas start-ups nano foram alguns dos problemas identificados na Euro região.”É necessário saber dar respostas aos interessados em investir e, identificadas as barreiras e dúvidas, ver que factores de sucesso podem ajudar a ultrapassá-las”, defende Pedro Silva, responsável da TecMinho e membro do Nanovalor.

Encarado como como um ponto de partida para se começarem a pôr em prática as ideias colaborativas entre os agentes de I&D, o documento apresentado conclui que a Euro região demonstra “possuir pouco conhecimento no que toca à área nano”. O afastamento entre I&D e o mercado, sobretudo nas fases iniciais do ciclo de investimento, é uma das principais falhas, a par da falta de comunicação entre os dois universos. “As empresas não sabem o suficiente sobre a nanotecnologia e suas potencialidades e, com essa falha, não se mostram dispostas a apostar na área”, diz Pedro Silva, concluindo que “existe pouco investimento privado, poucos empreendedores e agentes desarticulados”.

Falhas na comunicação são o principal obstáculo

Após a apresentação do documento, houve espaço para discussão do mesmo em duas mesas redondas preenchidas por convidados de referência na área. A principal conclusão retirada de ambos os debates foi a necessidade eminente de melhorar a comunicação entre os investigadores e as empresas. Ricardo Luz, da Invicta Angels, chegou mesmo a dizer que “os negócios relacionados com a nanotecnologia levantam uma série de problemas”. “Nós não temos conhecimento técnico, percebemos apenas de empresas. É necessário quem dê confiança aos investidores para prosseguirem”, disse.

O Professor Salcedo, da AcSystems, considera também que, a comunicação não é a melhor. “Hoje em dia a comunicação entre universidades e empresas é mais fácil, o que falta são reais gabinetes de transferência de tecnologia”, referiu. Além disso, “é necessário diminuir a aversão ao risco por parte das empresas interessadas em investir, que só o farão em grande escala se conseguirem compreender melhor o mundo no qual estão a apostar”.

As questões mais políticas estiveram em foco na segunda ronda de debates. Francisco Javier Pereiró, da Fundacion Empresa Universidad Galega (FEUGA), alertou para a necessidade de se definirem “objectivos e prazos”. Bruno Sarmento, da spin-off Inovapotek, considera por sua vez, “fundamental atentar às especificações de cada mercado para tentar ultrapassar as barreiras entre o mundo académico e empresarial”. A este problema José Miguel Teixeira, do IFIMUP, acresce o pouco “investimento público e privado na formação de pessoas que façam a transposição entre as universidades e as empresas”.

Apesar dos obstáculos, os participantes do fórum foram unânimes em considerar que a nanotecnologia pode e deve ser aproveitada, em todo o seu potencial, como valor acrescentado para um negócio de sucesso. Otimista , o professor de Santiago de Compostela Rogélio Conde, considera que o desenvolvimento da investigação nessa área não deve deixar de se “ligar ao mercado e às empresas apesar das dificuldades atuais” pois só assim se começarão a criar casos de sucesso.