Universidade do Porto é “Partner of the Year” da Portugal Ventures

Devido à proveitosa história de colaboração entre as duas entidades, a Portugal Ventures premiou a Universidade do Porto pelo seu esforço e dinamismo na apresentação de projetos de base tecnológica, sua aceleração e incubação. A origem deste reconhecimento deve-se em, em  grande parte, ao envolvimento na Call for Entrepreneurship, programa de ignição no qual a U.Porto é ignition partner através da UPIN. Na opinião de Carlos Melo Brito (na fotografia), Pró-Reitor da U.Porto para as Relações com Empresas, Inovação e Empreendedorismo, este prémio significa que “a Universidade procura sempre fazer mais e melhor”.

Prof Carlos Brito_copyright Rui Oliveira

Carlos Brito no 2º Portugal Ventures Day, agradecendo o prémio atribuído à Universidade do Porto. Fotografia: Rui Oliveira

A Call for Entrepreneurship começou em Outubro de 2013 e o sucesso da iniciativa faz com que esteja a entrar agora na sua 9ª edição. Em entrevista à Universidade do Porto Inovação (UPIN) Carlos Brito fala da sua intenção de manter ativas este tipo de iniciativas, dando continuidade ao trabalho feito: “Aquilo que eu quero é estar assoberbado de trabalho porque sei que isso é gerador de novas oportunidades”, refere. Mesmo reconhecendo as competências e valências da U.Porto o Pró-Reitor refere que uma das mais-valias da instituição é precisamente não querer fazer tudo sozinha, daí a importância deste tipo de parcerias: “Sabemos que temos coisas muito boas que são referências mas também temos a consciência de que, para atingirmos os nossos objetivos na maioria das áreas, faz sentido trabalhar em conjunto com outros”, refere. Acrescenta também que essa necessidade é muito evidente na área do capital de risco e do financiamento para atividades de empreendedorismo onde, na sua opinião, “a Portugal Ventures é um parceiro privilegiado”.

O galardão foi entregue pelo Secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Gonçalves, durante o 2nd Portugal Ventures Day, em Lisboa, no passado dia 18 de Setembro. Carlos Brito considera importante agradecer a todos os que, nas universidades portuguesas, trabalham na área de valorização de conhecimento e a todos os que, na Universidade do Porto, estão envolvidos na área da inovação incluindo professores, investigadores e colaboradores. Agradece também à UPIN, que tem sido ignition partner no programa Call for Entrepreneurship desde o começo, prestando apoio e esclarecimento aos projetos inovadores, nascidos na U.Porto, que estejam interessados em obter financiamento.

“Este prémio não significa que nós sejamos os melhores, significa sim que procuramos sempre fazer o melhor possível. Se alguém achou que nos devia premiar, ficamos muito satisfeitos. Não por sermos os melhores mas porque alguém reconheceu o nosso esforço constante para fazer o que sabemos melhor”, conclui.

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Três projetos vão representar a U.Porto no México, em competições do SPIN 2014

São ideias de negócio nascidas no seio da U.Porto e irão, no final de Outubro, viajar até ao México para participar em duas competições distintas do SPIN 2014. AddVolt compete no Model2Market; inanoE e Sky Angel no IDEup.

wetruckPara a AddVolt tudo começou com a ideia We Truck – Empower Trucks, um sistema capaz de produzir eletricidade para camiões frigoríficos a partir da sua energia cinética e que garantiu aos promotores da empresa o 1º lugar no iUP25k 2014. Agora, a empresa constituída por quatro alumni da Faculdade de Engenharia da U.Porto, é uma das finalistas da iniciativa Model2Market, uma competição destinada detetar, apoiar e reconhecer modelos de negócio provenientes de comunidades universitárias ibero-americanas. Miguel Sousa, um dos jovens empresários da AddVolt, refere que participar nesta competição do SPIN 2014 é uma excelente oportunidade e que “apesar do nível elevado de competitividade associado e este tipo de iniciativas, a empresa acredita reunir as condições necessárias” para poder disputar os lugares cimeiros. O objetivo principal da participação na iniciativa é a possibilidade de “fortalecer e potencializar o negócio”, diz Miguel, pensando já nos workshops e sessões de mentoring, com peritos de renome e com investidores, que darão o mote ao SPIN 2014, no México.

inanoJá no concurso IDEup são duas as ideias da U.Porto representadas. A invenção inanoE foi desenvolvida por uma equipa de jovens investigadores da Faculdade de Ciências da U.Porto e consiste em micro-geradores para aproveitar energia nas áreas automóvel, têxtil e de calçado. Por serem compostos por materiais de tamanho nanométrico, os dispositivos são “altamente eficientes, flexíveis, leves e de baixo custo”, explica João Ventura, um dos promotores do projeto, acrescentando ainda que se trata de uma “solução facilmente integrável em diversas áreas industriais”. Para a equipa a ida ao SPIN 2014 é mais uma hipótese de aprendizagem, que lhes permitirá “amadurecer os conceitos de empreendedorismo, modelos de negócio e prototipagem”, diz João.

skyPara a mesma competição foi também selecionada a equipa criadora do SkyAngel, um drone destinado a ajudar os nadadores-salvadores em operações de resgate no mar. João Coelho considera esta oportunidade muito interessante devido, principalmente, ao “acesso a sessões de formação” relacionadas com as temáticas trabalhadas pela equipa. O inventor acrescenta ainda que ser finalista do IDEup é uma mais-valia para “consolidar novos conceitos que permitam a construção de um protótipo com ainda mais qualidade”, refere. Além disso, os criadores do SkyAngel esperam tirar partido do contacto com outras culturas ibero-americanas e do intercâmbio de experiências.

Esta e outras iniciativas fazem parte do SPIN 2014, uma iniciativa da RedEmprendia organizada conjuntamente pelas várias universidades que integram a rede. É descrito pela organização como “o encontro por excelência do empreendedorismo universitário ibero-americano” e a edição deste ano terá lugar nos dias 29 e 30 de Outubro na cidade do México. Toda a informação está disponível aqui.

Ideias vencedoras do iUP25k 2014 contam próximos passos

Os premiados nas várias categorias da 5ª edição do concurso de ideias de negócio da U.Porto estão já a pensar no futuro das suas ideias e empresas. Apesar de terem planos diferentes, todos concordam que o iUP25k foi um grande e importante impulsionador para para a consolidação das ideias em projetos efetivos.

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WeTruck é um sistema para aproveitar a energia solar e a energia cinética do veículo para produzir eletricidade suficiente para alimentar o sistema de refrigeração dos camiões-frigoríficos.

Num ano de vitórias, a ideia WeTruck, de um grupo de estudantes da FEUP, foi a primeira classificada no iUP25k 2014, levando para casa o prémio de 15.000€, dos quais 10.000€ são um prémio em dinheiro, patrocínio do Banco Santander Totta, para investir na empresa que a equipa vier a criar. Em entrevista, os membros da equipa revelam os vários benefícios desta distinção, passando desde logo pela oportunidade de registo de propriedade intelectual. Salientam também a componente de incubação e mentoring que tencionam “rentabilizar para afinar estratégias na industrialização do protótipo e colocação do produto no mercado”. Além dos prémios habituais, o iUP25k contou este ano como parceiro do concurso com a RedEmprendia que ofereceu uma viagem ao México a um dos elementos da equipa vencedora, dando-lhe a oportunidade de participar no SPIN 2014 – um evento de excelência do empreendedorismo universitário. O grupo vê este prémio como “uma janela de oportunidade para contacto com potenciais clientes, fornecedores e, quem sabe, estabelecer parcerias estratégicas para a futura internacionalização do produto”. Para a equipa WeTruck, é “um grande orgulho” levar a sua tecnologia a outros países, também para “mostrar a outros mercados, com visões e culturas distintas, o que esta tecnologia pode oferecer tanto a nível económico como ambiental”, contam.

Relativamente aos próximos passos a dar, uma vez que a equipa já tem o protótipo validado em laboratório, agora é altura de fazer “a transferência efetiva da tecnologia para uma viatura da empresa de transportes nacional”, que tem acompanhado o desenvolvimento desta solução. A WeTruck espera concluir esta etapa nos próximos meses, para terem a “tecnologia no mercado até finais de 2015”, referem.

ceco

CECO – Energy Wave Converter consiste num novo sistema de aproveitamento da energia das ondas.

O segundo prémio foi para a ideia CECO – Energy Wave Converter.  A equipa irá aproveitar o prémio, designadamente os serviços, para “concretizar a ideia de negócio, nomeadamente na definição de um planeamento estratégico e na procura de oportunidades comerciais, mas também ao nível de serviços de consultoria”, referem os membros da equipa. Quanto aos próximos passos a dar, a CECO tem plena consciência de estar “perante um projeto ambicioso e de grande dimensão” e, por isso, as palavras de ordem têm sido empenho e trabalho. Neste momento querem continuar a estabelecer contatos “que possibilitem a obtenção de fundos e recursos que permitam acelerar o processo”. Posteriormente, os promotores desejam que a CECO possa passar para a fase de estudos no mar  “em condições reais”, referem. Só depois dessa etapa é que passarão para a comercialização.

5sense

5sense é uma aplicação para smartphone que pretende juntar num único dispositivo todos os comandos tradicionais (portões, garagens, condomínio, etc).

Em terceiro lugar e com direito a um prémio no valor de 5.000€ (e também ao Prémio do Público), ficou a 5sense, atualmente já a funcionar na empresa criada pelos seus elementos, a SenseGate. A equipa vai aproveitar o prémio principalmente para “avaliação de mercado e propriedade intelectual, no sentido de facilitar o processo de entrada no mercado”, contam em entrevista à UPIN. Esta tecnologia foi também galardoada com o prémio Best TIC, concedido pela Microsoft e traduzido em equipamento mas também em mentoring: “além de nos ter facilitado equipamento que é muito útil ao desenvolvimento do projeto, dá-nos acesso a mentoring e programas de apoio a startups, que julgamos serem muito vantajosos nesta fase”, refere a equipa.A empresa está já numa fase avançada, com vários protótipos funcionais. Neste momento, estão “focados em implementar um conjunto de funcionalidades e em aperfeiçoar o produto, de forma a torna-lo pronto para ser comercializado”, referem.

Uma edição recheada de novidades e surpresas

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Jogos sociais, verdadeiramente sociais – uma maneira de jogar contra adversários reais, frente a frente, usando os smartphones.

Uma das novidades de 2014 foi o prémio Best TIC, que teve o apoio da Microsoft e provocou alguma indecisão do júri quando chegou a altura de eleger o vencedor, acabando este por criar uma menção honrosa de última hora, atribuída ao projeto Jogos Sociais, verdadeiramente Sociais, de um grupo de alunos da FEUP. O grupo conta que a equipa está, neste momento, envolvida em outras competições que, à semelhança do iUP25k, consideram “importantes para ganhar visibilidade e contactos”. No que diz respeito à tecnologia em desenvolvimento, referem que o próximo passo é “pegar nos jogos e dar-lhes um design e uma user experience ideal e profissional para estarem prontos para o mercado”, duas componentes para as quais tencionam contratar empresas externas – o que significa que a equipa vai continuar na procura de financiamento. Na opinião deste grupo, cujo objetivo é fornecer horas de divertimento partilhado aos seus utilizadores, uma das maiores dificuldades prende-se com um design apelativo para os jogos, componentes nas quais vão continuar a trabalhar.

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TipiFire é uma tenda pensada para proteger os bombeiros durante o combate aos incêndios.

No que toca às ideias sociais, o grande vencedor deste ano foi a ideia TipiFire. O prémio concedido pela Santa Casa da Misericórdia, referem, vai disponibilizar “formação, contactos, e um período de incubação para a ideia o que servirá para desenvolver ainda mais o projeto e, possivelmente, encontrar os recursos necessários para concretizar a ideia em termos de comercialização do produto e patenteamento”. Encontrando-se neste momento na etapa final da prototipagem, a TipiFire irá começar muito em breve os testes em cenário real para depois passar para o mercado: “Em 2015 temos como primeira etapa iniciar a comercialização do TipiFire na zona Norte de Portugal. Numa segunda etapa, queremos expandir para todo o país e, no ano seguinte, tentar a internacionalização”, contam. Entre as dificuldades com que já se depararam, a principal a contornar é precisamente a venda do produto mas também a legalização ou aprovação do mesmo “pelas entidades responsáveis por materiais de segurança, trâmite que deverá demorar bastante tempo e com um custo envolvido considerável”, referem.

A importância do iUP25k para os empreendedores

Com objetivos e dificuldades mais ou menos semelhantes, comum é também a opinião positiva que os concorrentes e vencedores têm acerca do iUP25k. A SenseGate, por exemplo, refere que o concurso “teve, e está a ter, um contributo muito significativo no trabalho da empresa uma vez que permitiu ter alguma exposição e reconhecimento”. Do mesmo modo, a equipa WeTruck diz que “o iUP25k não foi apenas um concurso de ideias de negócio, foi muito mais do que isso”, salientando as formações ao longo do concurso, que os ajudaram a reforçar alguns conhecimentos e conceitos. Além disso, a WeTruck considera que “as avaliações intermédias e o feedback dos peritos e da organização, permitiram continuar a melhorar o modelo de negócio e a forma de comunicar o projeto”. A componente das formações também é salientada pela equipa Jogos sociais, verdadeiramente sociais, na medida em que permitiram “amadurecer a ideia e até torná-la melhor e mais rentável”, dizem os membros da equipa.

Os concorrentes salientam ainda os contactos e networking feitos ao longo desta jornada, que poderão até servir para parcerias futuras: “Um aspeto a destacar prende-se com a troca de ideias e opiniões com outras pessoas e profissionais. Além disso o iUP25k facilitou o estabelecimento de contactos muito importantes que nos abriram portas, algumas delas mediáticas”, refere a equipa TipiFire. A equipa CECO também salienta esse mediatismo trazido pelo concurso que “permitiu divulgar este novo conceito não só junto da comunidade U.Porto, mas também de um conjunto de potenciais investidores”. Toda a informação sobre as ideias vencedoras de mais uma edição do iUP25k está disponível aqui.

Universidade do Porto cada vez mais envolvida no Empreendedorismo Social

O lançamento do “Manual para Transformar o Mundo”, do IES, e o “Roteiro para o Empreendedorismo Jovem”, da Fundação da Juventude, foram alguns dos eventos ligados ao Empreendedorismo que a U.Porto, através da UPIN, apoiou em 2013.

Como diz Rita Baptista, coordenadora da formação do Instituto de Empreendedorismo Social (IES), “o Empreendedorismo Social está cada vez mais em alta” e a Universidade do Porto não quis deixar de acompanhar a viagem. Foi por isso que recebeu, no dia 5 de novembro, perante uma  audiência participativa, a sessão oficial de lançamento do livro “Manual para Transformar o Mundo”, na Reitoria da Universidade do Porto.

O pró-reitor, Carlos Brito, motivou o espírito empreendedor da assistência.

O pró-reitor, Carlos Brito, motivou o espírito empreendedor da assistência.

Trata-se de um manual de sobrevivência para que, como referiu Rita Baptista, “as ideias dos empreendedores possam fazer a diferença no bem-estar das comunidades e partam para a ação”. A iniciativa partiu do IES e da Fundação Calouste Gulbenkian e recebeu o apoio da Universidade do Porto, desde cedo envolvida no Empreendedorismo Social. Para Carlos Brito (pró-reitor para a Inovação e o Empreendedorismo), “Portugal precisa de 10 milhões de empreendedores e a Universidade do Porto quer estar envolvida nesse objetivo”. Abordando os aspetos essenciais para fazer resultar uma ideia empreendedora a nível social, o guia responde à questão: “Como transformar uma simples ideia num projeto com impacto na vida das pessoas e das cidades em apenas 10 passos?”, apresentando diferentes soluções. Quem quer transformar o mundo não tem tempo a perder, por isso, e através deste manual, vai ser capaz de transformar uma ideia numa solução inovadora com elevado impacto social, em apenas dez passos. No livro poderão encontrar-se as ferramentas necessárias para o desenvolvimento de novas ideias, estando assim acessível o conhecimento sobre empreendedorismo social num formato prático, simples e eficaz. O objetivo da publicação do IES é libertar o potencial das próprias ideias, de modo que  estas se possam concretizar em benefício de um mundo melhor.

O “Manual para transformar o Mundo” deu ainda origem a um movimento de transformação promovido pelo Instituto de Empreendedorismo Social e pela Fundação Calouste Gulbenkian, que também conta com o apoio da Universidade do Porto. O objetivo desta iniciativa é partilhar opiniões sobre o manual, assim como recolher contributos dos empreendedores e outros agentes sociais que ajudem nesta jornada para transformar o mundo. Ao longo da sessão, além da intervenção de Rita Baptista, foram também apresentados dois casos de sucesso no âmbito do Empreendedorismo Social: o projeto RIOS e o projeto ARREBITA.

Roteiro de Empreendedorismo Jovem

O Auditório da FLUP acolheu a passagem do Roteiro do Empreendedorismo Jovem

O Auditório da FLUP acolheu a passagem do Roteiro do Empreendedorismo Jovem

No dia 19 de novembro foi a vez de o Roteiro de Empreendedorismo Jovem se apresentar à comunidade académica, passando pela Faculdade de Letras da U.Porto. A iniciativa é da autoria da Fundação da Juventude com o apoio e parceria da Agência Nacional para a Gestão do Programa Juventude em Ação, e tem como público-alvo os jovens interessados em tirar da gaveta as suas ideias empreendedoras, colocando-as em prática. O “Roteiro do Empreendedorismo Jovem” destina-se a portugueses entre os 18 e 30 anos, sejam eles estudantes universitários, recém-licenciados ou até mesmo desempregados, desde que mostrem interesse em seguir um caminho empreendedor. Planeado para passar por todo o país, o Roteiro veio até ao Porto para apresentar aos jovens meios para empreender em Portugal e na Europa.

Walkin’Sense, da Tomorrow Options, tem nova casa no Porto

Fotografia de ©Tomorrow Options

Fotografia de ©Tomorrow Options

Em pleno coração da baixa do Porto encontram-se agora os escritórios da Tomorrow Options, empresa fundada em 2007 por Paulo Santos. Desde essa altura que estava incubada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) tendo agora condições para “voar sozinha”.Em entrevista à UPIN, Paulo Santos revelou que, por vezes, as desvantagens de estar em Portugal são muito superiores às vantagens, nomeadamente no que diz respeito à economia do país. No entanto, sair do UPTEC faz com que a Tomorrow Options deixe de ser vista como uma empresa de investigadores o que, na opinião de Paulo Santos, tem efeitos nocivos no mercado: “Apesar de só ter coisas boas a dizer do tempo em que passámos no UPTEC, o cortar desse cordão umbilical dá uma visão diferente para quem está de fora: já nos olham mais como uma empresa e menos como um projeto científico”.

Para o dono da empresa, escolher o local era uma decisão muito importante porque “qualquer empresa que se queira impor por tecnologia, tem de ter a melhor tecnologia e só consegue isso com as pessoas com mais talento e mais capacidade que a concorrência”, revelou. Aliando, então, o ambiente cosmopolita e social da baixa do Porto, ao incentivo para captar aí novos funcionários, a empresa instalou-se perto da Praça Carlos Alberto onde tenciona continuar a crescer por muitos anos, desenvolvendo novas tecnologias e actualizando, constantemente, as que já detêm. “Para mim, ninguém no mundo faz melhor o que nós fazemos”, disse Paulo Santos, que muito acredita na valorização dos seus funcionários.

Walkin’Sense foi o ponto de partida

walkinsenseA tecnologia Walkin Sense foi pensada e desenvolvida por Miguel Velhote Correia e Sérgio Reis Cunha, dois investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Através de uma licença exclusiva da patente, a titularidade da mesma passou a ser partilhada pela metade entre a Universidade e a Tomorrow Options, que a desenvolve, produz e exporta atualmente. Trata-se de um dispositivo portátil de medição de parâmetros de locomoção, utilizada na área da medicina e também na área do desporto. Apesar das dificuldades iniciais, o produto pode ser hoje considerado como um caso de sucesso: “está sempre em actualização porque as pernas são uma fonte inesgotável de informação e muito relevantes para muitas áreas como ambientes industriais, medicina e desporto”, disse Paulo Santos.

A ligação à Universidade do Porto torna-se, então, inevitável mas sempre foi prazerosa para ambas as partes. “Eu pessoalmente tenho uma dívida de gratidão à Universidade porque estou a realizar um sonho que só foi possível graças ao que me foi proporcionado pela Universidade”, disse Paulo Santos. O fundador da Tomorrow Options pretende manter essa relação, pensando até em vir a partilhar tudo aquilo que aconteceu tanto de bom como de mau no percurso da empresa. “De todos os projetos que analisei antes de começar esta empresa, o que me pareceu mais viável foi o Walkin’Sense”. E a Tomorrow Options continuou a crescer.

O próximo passo vai em direcção dos Estados Unidos, onde a empresa conseguiu fechar recentemente um novo investimento. “É o primeiro que nos permite pensar a médio e longo prazo”, referiu Paulo Santos, “e a saltar para um mercado maior, mais exigente e com públicos-alvo diferentes”.

O Empreendedorismo “trocado em miúdos” na U.Porto

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Realizou-se no passado dia 4 de dezembro de 2012 o 1º Fórum de Estudantes Empreendedores da Universidade do Porto. Perto de uma centena de estudantes, e alguns alumni, reuniram-se no salão nobre da Reitoria para discutir o que é feito em termos de empreendedorismo na instituição, o que pode ser melhorado e a quem podem recorrer quando tiverem uma ideia.

Após a intervenção inicial de Carlos Brito, na qual o pró-reitor para a Inovação e o Empreendedorismo destacou das parcerias, protocolos e facilidades em termos de inovação que a Universidade oferece à sua comunidade, João José, responsável pelo MIETE (Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico) apresentou uma das melhores alternativas de formação para quem leva o empreendedorismo a sério: “O empreendedorismo implica construir algo complexo a partir do nada e não o conseguimos se não tivermos uma grande paixão”, disse aos estudantes.

Na opinião do professor da FEUP, ter uma ideia é o ponto de partida “mas não é o ponto de chegada”. E acrescentou que “Universidade do Porto é rica em oferta para os mais ambiciosos empreendedores”.

Ao longo da tarde, os participantes puderam ainda interagir com membros da UPIN (Universidade do Porto Inovação) e do UPTEC (Parque de Ciência e Tecnologia), que apresentaram as suas propostas para fazer crescer o empreendedorismo. Filipe Castro, da UPIN, explicou questões como a propriedade intelectual e os direitos de autor, patentes e seus requisitos. Já Clara Gonçalves, diretora executiva do UPTEC, convidou os jovens a irem ter com a Universidade quando precisarem: “Nós temos as portas abertas para vos ajudar na construção do negócio”, disse.

Clara Gonçalves conversa com os estudantes

A “fuga de talentos” da Universidade, motivado pelo atual panorama económico do país, foi outros dos temas em foco. “Temos 30% a ir trabalhar para fora”, avisou Clara Gonçalves. Os estudantes presentes tiveram, então, oportunidade de expor as suas dúvidas e inquietações, colocando questões aos oradores convidados. Carlos Brito respondeu com uma palavra de estímulo: “Não vamos falar em crise. Podemos até cair. Mas temos sempre a obrigação de nos levantarmos”.

Os estudantes revelaram também algumas preocupações no que toca à pouca informação acerca das entidades que os podem ajudar a ser empreendedores. A hora já ia avançada e o público foi para casa com uma missão, lançada pelo professor Carlos Brito: “Ajudem-me, Vocês estão no terreno, conhecem professores e colegas. O que nós queremos é que vocês levem por aí a chama do empreendedorismo e a mantenham acesa”.

O próximo Fórum de Estudantes Empreendedores da U.Porto deverá realizar-se dentro de um ano.