“Sinto uma enorme responsabilidade em que, do meu esforço, resulte valor para o país”

Para Adélio Mendes (FEUP), uma das componentes mais importantes da investigação é a associação a empresas, sendo “uma das formas lógicas de dar retorno ao país do seu investimento na investigação”, diz. Sendo um dos inventores com mais patentes na U.Porto, o engenheiro químico quer continuar a ser “sujeito e ator” em Portugal. Ler mais

Fotografia: João Pádua

Fotografia: João Pádua

Dividido entre a física e a química, foi mesmo a última que acabou por conquistar Adélio Mendes quando, em 1982 ingressou na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). De uma coisa tinha a certeza: queria ser investigador “para construir máquinas que melhorassem a vida das pessoas”. Contando com um longo percurso em diferentes áreas de investigação e com variados casos de sucesso, reconhecer a importância da relação entre a investigação e as empresas é uma das suas principais características, tendo sempre feito questão de relacionar ambas nos seus projetos. “Trabalhando eu em engenharia, uma das formas lógicas de dar retorno ao país do seu investimento na investigação que desenvolvo é associar-me a empresas”, diz, acrescentando ainda que, hoje em dia, aquando da entrada de pedidos de patente, tende que as mesmas “tenham já uma empresa interessada”.

Esta atitude pró-ativa em acrescentar valor ao conhecimento gerou um sem número de vitórias importantes ao longo dos anos, chegando ao ponto em que Adélio Mendes até já perdeu a conta às patentes que detém: “Não sei ao certo, mas são muitas. Tento todos os anos registar pelo menos uma patente”, diz. Entre os projetos mais marcantes o investigador destaca, por exemplo, o desenvolvimento de uma cerveja sem álcool para a UNICER “cuja conceção, desenvolvimento do processo e projeto de per vaporação” são da sua autoria, ou o projeto com a Amorim & Irmãos para desenvolver um revestimento para rolhas de cortiça a usar em bebidas brancas. Fala também de uma investigação iniciada em 1999 que mereceu este ano o interesse de uma empresa multinacional que poderá financiar a investigação, permitindo o “desenvolvimento rápido da tecnologia e a continuação do financiamento que, num futuro previsível, originará novos produtos”, conta.

Apesar de ciente das dificuldades que o país atravessa, Adélio Mendes acredita que a “qualidade e quantidade” das pessoas irão ser decisivas e, enquanto investigador, quer também dar o seu contributo: “vivemos um momento de tremendas possibilidades e eu quero ser sujeito e ator”, diz. É por isso que os seus períodos de trabalho no estrangeiro sempre foram curtos, optando por ficar no país onde nasceu e se formou dividindo-se entre os vários trabalhos de investigação e as aulas, que leciona na Faculdade de Engenharia na U.Porto.

Quando questionado sobre a área que melhor o define, diz-nos que gostaria de se ver relacionado com o desenvolvimento dos combustíveis eletroquímicos, área na qual foi um dos “primeiros investigadores a nível mundial a perceber a sua importância”, e onde continua a trabalhar. Para Adélio Mendes, todos os casos de sucesso de que foi protagonista ao longo dos anos não são motivo para baixar os braços mas sim uma “fonte de motivação para continuar um caminho que é muito exigente”, conclui.

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